China não é competitiva em produção de grãos, diz OCDE

<I>Relatório da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) revela que China investe 3,7% do PIB em infra-estrutura rural </I>

A China possui cerca de 200 milhões de domicílios rurais, com média de 0,65 hectare de extensão. Segundo relatório divulgado nesta segunda-feira (14/11) pela Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) isso traz duas conseqüências — e uma delas é benéfica para os exportadores brasileiros.

Limitadas extensões de terra arável e uma imensa força de trabalho rural significam que a China tende a apresentar vantagem comparativa em colheitas intensivas em mão-de-obra, como frutas e vegetais, e desvantagem em culturas que exigem grandes áreas, como grãos e oleaginosas. Como o Brasil é grande exportador de soja, a perspectiva de continuar abastecendo o mercado chinês é positiva, portanto.

O nível de subsídios concedidos pelo governo chinês aos agricultores subiu dos baixos níveis praticados na década de 1990 para 8% em 2003. Ainda assim, são subsídios bem abaixo da média dos países que compõem a OCDE, de 30%. (Relatório semelhante divulgado pela organização em 31/10 reconheceu que a média de subsídios aos agricultores no Brasil é de 3% do faturamento bruto.)

O investimento estatal na agricultura chinesa é visto pela OCDE como relativamente alto, na casa dos 3,7% do Produto Interno Bruto. A maior parte dos gastos segue para infra-estrutura agrícola, com o objetivo de incrementar a produtividade (leia reportagem de EXAME sobre o vigor do investimento chinês em infra-estrutura).

As prioridades da política econômica chinesa para o campo mudaram, diz a OCDE. A meta não é mais incrementar a produção, mas resolver a grande disparidade de renda entre população rural e urbana e iniciar o enfrentamento de sérias questões ambientais.