OCDE alerta para deterioração do déficit americano

Desequilíbrio nas contas dos Estados Unidos põe em risco a economia mundial. Déficit em conta corrente já supera 6% do PIB e deve crescer mais

O constante aumento do déficit em conta corrente dos Estados Unidos coloca em risco não só seu próprio desempenho, mas também a economia mundial. O déficit, que já está acima de 6% do Produto Interno Bruto (PIB) americano, deve alcançar 7% até o final de 2006, segundo a Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). “Poucos países da OCDE conseguiram sustentar desequilíbrios desta magnitude sem enfrentar uma pressão acentuada para desvalorizar suas moedas”, afirma relatório da organização.

Se nada for feito pelo governo americano para controlar suas contas, a OCDE prevê que os investidores globais começarão a exigir elevadas taxas de juros para investir em títulos dos Estados Unidos. O organismo internacional cobrou esforços de Washington para aumentar o nível nacional de poupança, o que ajudaria a reduzir o rombo em conta corrente. Para acelerar o processo, a OCDE também recomendou a adoção de medidas de controle fiscal.

Uma reforma tributária poderia incentivar a poupança interna, segundo a OCDE, desde que fossem desonerados os investimentos e os poupadores, simplificando tributos e eliminando cobranças em cascata.

O déficit comercial também ameaça a saúde econômica do país. A organização criticou, porém, o aumento do protecionismo como fórmula para conter o rombo. Segundo a OCDE, criar barreiras alfandegárias pode dificultar inclusive as exportações do país, devido a eventuais retaliações de parceiros comerciais. “O problema é que qualquer coisa que for feita para atingir diretamente o déficit em conta corrente terá pesados custos econômicos e reduzirá o crescimento doméstico e de exportações”, afirma o relatório.