EUA pressionam China para elevar novamente o câmbio

Em conversas privadas com lideranças chinesas, o secretário do Tesouro americano cobrou uma nova alta do yuan

Durante sua visita de uma semana à China, neste mês, o secretário do Tesouro americano, John Snow, procurou publicamente amenizar as tensões entre os dois países. Mas, em conversas privadas, Snow voltou a pressionar as lideranças chinesas por uma nova valorização do yuan ou renminbi, como é chamada a moeda local. Em julho, a China flexibilizou sua política cambial e elevou, pela primeira vez, a cotação de sua divisa frente ao dólar (se você é assinante, leia ainda reportagem de EXAME sobre a reforma cambial da China).

A cobrança foi feita em encontros com o presidente chinês, Hu Jintao, o primeiro-ministro Wen Jiabao, Zhou Xiaochuan, presidente do Banco Popular da China, e Jin Renqing, ministro das Finanças. Nas reuniões, Snow informou que as preocupações do Congresso americano recuaram temporariamente após a valorização de 2,1% do yuan, há três meses, mas já começam a recrudescer.

A viagem de Snow à China é parte dos preparativos para a visita do presidente George W. Bush ao país, em 18 de novembro. Segundo o jornal britânico Financial Times, enquanto o secretário do Tesouro se esforça para manter a diplomacia em seus encontros, Bush poderá ser mais enfático, caso nenhuma atitude seja tomada pelos chineses em relação ao câmbio até lá. Snow alertou Pequim de que os parlamentares americanos já começam a pressionar Bush sobre o assunto.

O governo americano está particularmente preocupado com um projeto de lei apresentado pelos senadores Chuck Schumer e Lindsey Graham. O projeto impõe uma sobretaxa de importação de 27,5% sobre todos os produtos importados da China, caso o país não promova uma desvalorização significativa do câmbio.