Americanos propõem corte de subsídios agrícolas

Para reavivar as discussões sobre livre comércio, Estados Unidos pedem também que a União Européia e o Japão sigam seu exemplo

O representante do Departamento de Comércio americano Rob Portman afirmou, nesta segunda-feira (10/10), que os Estados Unidos estão dispostos a cortar seus subsídios agrícolas para que as negociações de livre comércio, conduzidas no âmbito da Organização Mundial de Comércio (OMC), possam avançar. Os americanos exigem, porém, que a União Européia e o Japão façam o mesmo.

“Os Estados Unidos dispõem-se a arcar com algum ônus, mas aqueles que subsidiam mais [a agricultura] devem reduzir ainda mais”, afirmou Portman ao americano The Wall Street Journal. Ele observou que os europeus chegam a despender três vezes mais em subsídios que seu país. Portman disse ainda que os americanos estão prontor para realizar profundos cortes na ajuda aos agricultores.

O comissário de Comércio da União Européia, Peter Mandelson, afirmou que a proposta é um “passo construtivo”, mas declarou que espera maiores esclarecimentos. Entre os pontos a serem discutidos, Mandelson destaca a necessidade de elaborar um cronograma de trabalho que indique as fases de redução dos subsídios.

No mês passado, um encontro ministerial entre europeus, indianos e brasileiros falhou na tentativa de romper os impasses em torno da questão agrícola, embora a União Européia tenha apresentado um plano minucioso de eliminação do apoio aos seus produtores rurais.

A rodada de Doha nome da capital do Catar, onde as negociações para liberalização do comércio foram iniciadas em 2001 terá um novo encontro ministerial no final do ano, em Hong Kong, quando os 148 países-membros da OMC tentarão desembaraçar os nós que impedem um acordo comercial. A intenção é que a rodada se encerre ainda neste ano, já que a previsão original era de que as discussões terminassem em dezembro do ano passado.