Produção de aço chinesa pressiona mercado mundial

Capacidade produtiva do país é excessiva e poderá derrubar os preços internacionais do aço, apesar da demanda crescente

Os grandes grupos siderúrgicos do mundo estão preocupados com o aumento da capacidade produtiva da China. Para alguns especialistas, o parque siderúrgico chinês está superdimensionado e poderá pressionar os preços internacionais do aço, apesar da demanda crescente pelo produto. “Há um excesso de capacidade no país”, afirma Nicholas Lardy, professor do Institute for International Economics, de Washington.

No ano passado, a China agregou 50 milhões de toneladas de aço à sua capacidade produtiva, que atingiu 330 milhões de toneladas. A expectativa é que haja um crescimento ainda maior em 2005, elevando o total para 400 milhões. Para se ter uma idéia do porte chinês, a União Européia, segunda maior produtora mundial de aço, encerrou 2004 com 191 milhões de toneladas de capacidade, 8 milhões a menos que em 2003. Neste ritmo, segundo Lardy, a China se tornará autosuficiente na produção de aço em 2015. O professor também ressaltou que os esforços do governo central chinês em conter a expansão podem ser malsucedidos, diante da resistência dos governos das províncias de impedir a instalação de novas plantas.

Além da expansão chinesa, as siderúrgicas também enfrentam outro problema: obter matérias primas e energia mais baratas, a fim de enfrentar a crescente concorrência com outros materiais, como os plásticos, alumínio e cimento, que vêm disputando espaço com os produtos siderúrgicos em mercados prioritários, como o automotivo e o da construção civil, segundo o americano The Wall Street Journal.