Musical “Billy Elliot” é suspenso após campanha homofóbica na Hungria

Campanha negativa na imprensa relacionada à produção afetou a venda de entradas, o que levou ao cancelamento de 15 sessões, segundo a Ópera de Budapeste

Budapeste – A Ópera de Budapeste suspendeu 15 apresentações do musical “Billy Elliot” depois que um jornal próximo ao Governo nacionalista lançou uma campanha de boicote à obra, na qual chegava a advertir que os jovens que a vissem corriam risco de se tornar homossexuais.

O diretor da Ópera, Szilveszter Ókovács, informou aos atores que “está acontecendo uma campanha negativa na imprensa relacionada com a produção ‘Billy Elliot'” que afetou a venda de entradas, por isso que foram canceladas as 15 próximas apresentações de uma obra que está em cartaz em Budapeste desde junho de 2016.

Cerca de 100 mil pessoas já assistiram a apresentação desde então na capital húngara.

O teatro assegurou que as entradas já vendidas serão reembolsadas ou trocadas para outras datas.

O jornal conservador “Magyar Idök” publicou em 1 de junho uma crítica da obra na qual a autora acusava a Ópera de “deixar os jovens infelizes já que, por eles mesmos, não iriam nessa direção”, para a homossexualismo.

Nesse artigo, acusa a obra de “propagar” o homossexualismo de uma forma como “afeta o subconsciente dos menores, justo em uma idade quando ainda podem ser influenciados”.

Poucos dias depois, outra nota sobre a obra levava como título “Uma forma de vida desviada”.

“Billy Elliot “, baseada no bem-sucedido filme de 2000, conta a história de um menino que sonha em se transformar em um dançarino profissional perante a oposição de seu pai, que pretende que o filho faça aulas de boxe.

O filme foi um sucesso de crítica e público e a adaptação ao teatro, com músicas de Elton John, está há anos em cartaz nas principais cidades do mundo e ganhou vários prêmios na Broadway.

O edifício da Ópera de Budapeste atualmente está sob reconstrução e as apresentações são realizadas no Teatro Erkel, uma instituição que pertence à Ópera.