Mulher indígena dá à luz gêmeos durante manifestação na Bolívia

A mãe se chama Carolina Moye, da etnia chimán, e fazia a passeata com outro filho de um ano

La Paz – Uma índia boliviana deu à luz gêmeos nesta quinta-feira, durante a marcha realizada por centenas de nativos desde a Amazônia boliviana até La Paz para protestar contra o projeto de construção de uma estrada no parque nacional do Tipnis, impulsionado pelo governo do presidente Evo Morales.

A mulher teve dois meninos ao meio-dia local (13h de Brasília), com vários minutos de diferença de um para outro, em uma fazenda na cidade de Chaparina, no departamento de Beni, a 300 quilômetros de La Paz, disse à rádio ‘Erbol’ a líder indígena Ángela Nosa, que fez o parto.

‘Esses bebês são uma história a mais para nós. Sua mãe veio caminhando, é forte e não teve muitos problemas’, destacou Ángela, que acrescentou que, após o parto, a mulher e as crianças foram transferidas para o hospital de Yucumo, cidade vizinha.

Ángela disse que o nascimento do segundo bebê foi mais complicado que o primeiro, pois não estava na posição correta, e só foi possível com a ajuda de parteiras.


A mãe se chama Carolina Moye, da etnia chimán, e fazia a passeata com outro filho de um ano. O marido dela ficou em sua comunidade cuidando de outras três crianças. Com o nascimento dos gêmeos, o casal tem agora seis filhos.

O parto foi atendido por três mulheres indígenas, que tinham conhecimento em enfermaria, e ativistas de organizações de direitos humanos que acompanham a caminhada, na qual há pelo menos outras sete mulheres grávidas, informa o jornal ‘La Razón’.

A travessia dos indígenas bolivianos que defendem o Território Indígena Parque Nacional Isiboro Sécure (Tipnis) – a segunda em menos de um ano – pretende percorrer cerca de 600 quilômetros até chegar a La Paz para exigir ao presidente Morales que desista da construção da estrada, financiada pelo Brasil.

Ángela destacou o simbolismo de o nascimento dos gêmeos ter ocorrido na cidade de Chaparina, pois foi lá onde, no dia 25 de setembro de 2011, a polícia reprimiu brutalmente a primeira marcha indígena, que finalmente chegou a La Paz em outubro, para obrigar Morales a assinar uma lei que proíbe qualquer estrada no Tipnis.

No entanto, Morales se arrependeu da norma e, a pedido de setores interessados, promulgou outra lei para convocar uma consulta entre os indígenas sobre a estrada. Contudo, os dirigentes das etnias rejeitam a proposta, pois consideram que viola a Constituição, já que a consulta não seria feita antes das obras.

Os indígenas acusam Morales de querer a estrada para facilitar as exportações do Brasil através da Bolívia e para permitir assentamentos de produtores de coca, matéria-prima da cocaína, embora o líder negue as acusações, indicando que a rodovia permitirá a integração do país.