Mudança de tom no governo abre caminho ao turismo, diz Irã

O Irã tem patrimônios culturais e arquitetônicos espetaculares, mas só recebe quatro milhões de turistas por ano, número que o governo tenta aumentar

Teerã – O Irã tem patrimônios culturais e arquitetônicos espetaculares, gastronomia excelente, magníficas paisagens naturais e um povo afável e extremamente hospitaleiro, mas só recebe quatro milhões de turistas por ano, número pequeno que o governo de Hassan Rohani tenta aumentar.

A impressionante praça e mesquita de Isfahan, o labiríntico bazar de Tabriz, os templos zoroastristas de Tajt e Soleiman, a encantadora cidade desértica de Yazd, o esqui nos montes Elbruz e as impressionantes ruínas de Persépolis são maravilhas isentas dos males que acompanham o turismo de massa.

Lá o viajante pode fotografar sem que outras 20 pessoas saiam atrás na foto com mochilas, bonés e óculos de sol; pode comer pratos verdadeiramente locais e passear com tranquilidade e sem ser abordado nas ruas onde quase todo mundo vai sorrir e dar boas-vindas.

O Irã é um país sem McDonald’s nem outros fast foods ocidentais. Sem grandes cadeias hoteleiras que igualam experiências em destinos diferentes, nem marcas de lojas que fazem com que os centros de muitas cidades lembrem uns aos outros. É ainda um país a ser descoberto, mas que poucos turistas se atrevem a conhecer.

“Em 2013, houve 4,6 milhões de entradas nos primeiros dez meses do ano”, comentou à Agência Efe o subdiretor da Organização de Patrimônio Cultural, Artesanato e Turismo do Irã, Morteza Rahmani Mohaved, que afirma que o número inclui todas as entradas de estrangeiros.

Os turistas são 65% dessa quantidade. Desses, aproximadamente, a metade vem do vizinho Iraque e estão no país para ir ao médico ou visitar o santuário de Imam Reza Shrine, em Mashhad, lugar sagrado para o xiismo.

O presidente quer mudar esta situação e aposta no turismo, não só para contribuir para a recuperação econômica que clama este país isolado, sancionado, com taxas de inflação de 40% e um quinto da população ativa desempregada, mas também como ferramenta fundamental de diplomacia pública.

“O turismo pode ajudar a criar relações e interações entre as nações e trazer proximidade cultural e compreensão mútua”, disse o presidente em uma conferência em setembro. Rohani destacou ainda “o brilhante passado de civilizações, a hospitalidade, a rica herança cultural, bom clima e belas paisagens” que podem atrair viajantes.


Com o objetivo de encorajar a visita dos turistas, o país começou relaxando a política de vistos e, há alguns meses, são muitos os viajantes que entram com visto expedido logo ao chegar.

“Estamos aumentando as facilidades para que os turistas recebam vistos no aeroporto. Antes eram duas semanas, mas dobramos o prazo. Quanto mais facilidades dermos, mais tempo ficarão”, disse Mohaved.

De acordo com a agência iraniana “Isna”, Teerã pretende dar visto ao chegar para turistas de todo o mundo, exceto de dez países, entre eles Reino Unido e Estados Unidos. No entanto, o sistema ainda não funciona 100% e um viajante sem visto pode ficar para trás no aeroporto sem muitas explicações.

Segundo o Ministério do Turismo, as chegadas aumentaram em torno de 20% desde que Rohani chegou à presidência em agosto. O secretário-geral da Organização Mundial do Turismo, Taleb Rifai, confirmou este mês que no último meio ano “tornou-se mais fácil” viajar para a República Islâmica do Irã.

“Prestar mais atenção ao desenvolvimento do turismo está entre as principais políticas deste governo”, declarou Mohaved, acrescentando que todas as instituições públicas têm instruções do presidente para colaborar com o tema.

Os mercados aos quais se dirige Teerã são “China, países da Ásia Oriental e os estados vizinhos”, e os campos nos quais prevê maior crescimento são o turismo cultural, histórico, de natureza e médico.

De acordo com o Conselho Mundial de Viagem e Turismo (WTTC), o Irã viverá um aumento de 7,4% do turismo neste ano e aumentará o investimento em infraestruturas hoteleiras e de restauração em 7,6%.

Neste ano, a contribuição de viagens e turismo ao PIB iraniano foi de 6,1% do total, em torno de US$2 bilhões, e o setor gerou 5,3% do emprego, cerca de 1.200.000 pessoas.

O plano “Vision 1404” fixou como objetivo chegar a 20 milhões de turistas em 2025, um número ainda muito distante, segundo Mohaved, pelos “problemas econômicos causados pelas sanções internacionais”.

No entanto, ressalta que, além de sua beleza e seus 16 lugares declarados Patrimônio da Humanidade, outro atrativo do Irã é “a segurança do viajante, muito superior à de países da região que recebem muitos mais turistas, como o Egito e a Jordânia”, e descarta que setores mais conservadores tenham reservas à entrada de estrangeiros, mesmo os ocidentais.