Mortes por terrorismo caem no mundo, mas ameaça da extrema-direita cresce

Número de mortes por terrorismo caiu 27% em 2017 ante 2016 e as maiores quedas foram observadas na Síria e Iraque

São Paulo – Pelo terceiro ano consecutivo, mortes por ataques terroristas caíram em todo o mundo. A notícia, contudo, é ofuscada por outra ameaça em ascensão nos Estados Unidos e na Europa ocidental: a extrema-direita. A constatação é do Índice Global do Terrorismo, estudo anual pelo Instituto para Economia e Paz (IEP), divulgado nesta quarta-feira.

De acordo com o relatório, o número de mortes decorrentes de ataques terroristas caiu 27% ante 2016 e 44% desde 2014, quando atingiu o pico. O maior declínio, explicou a publicação, aconteceu justamente na Síria e no Iraque, países que vivenciaram nos últimos anos casos de violência extrema por grupos extremista e conflitos civis.

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No geral, mostrou o estudo, os casos associados ao terrorismo declinaram em 94 países, o maior número já observado nos anos de análise, embora tenham aumentado em 46. Ao todo, 67 países do mundo sofreram ao menos um ataque dessa sorte em 2017 e o país mais afetado por essa atividade é o Afeganistão.

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Na Europa, lugares como França, Bélgica e Alemanha, alvos frequentes desses atos nos últimos anos, também registraram queda. Se em 2016, esses países sofreram 168 mortes por ataques terroristas, em 2017 o número não passou de 81. A letalidade dos ataques que aconteceram no período está menor, mas o número de incidentes aumentou de 253 em 2016 para 282.

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As quedas nesses números são atribuídas pelo estudo especialmente ao enfraquecimento do Estado Islâmico (EI), organização terrorista que atuou com força na Síria e no Iraque, mas bem-sucedida em exportar células para diferentes partes do mundo. Ainda assim, o EI e seus militantes são considerados o grupo mais violento em atividade atualmente e foram responsáveis por ao menos 4.350 fatalidades no ano passado.

Extrema-direita

A publicação também notou o aumento da ameaça representada por grupos da extrema-direita, que ganharam força nos últimos anos especialmente nos Estados Unidos e Europa. Nos EUA, supremacistas brancos estiveram por trás de 30 ataques e 16 mortes, enquanto em solo europeu essas pessoas estiveram envolvidas em 12 ataques no Reino Unido e seis na Suécia.

Entre 2013 e 2017, o estudo registrou 66 mortes e 127 ataques de grupos ou indivíduos associados a esse tipo de extremismo nos EUA e na Europa. A maior parte dos ataques foram realizados por apenas uma pessoa, motivada pela supremacia branca ou ódio aos muçulmanos.