Morte de menina guatemalteca nos EUA escancara drama de menores migrantes

Menina estava há dias sem comer e beber e sofreu convulsões cerca de 8 horas após ser detida. Ela foi enviada a um hospital, mas não conseguiram salvá-la

Uma menina guatemalteca de 7 anos morreu sob custódia das autoridades americanas após ser detida no estado do Novo México, revelou nesta quinta-feira, 13, o jornal The Washington Post.

A menina, que havia cruzado ilegalmente a fronteira com seu pai e uma dúzia de outros migrantes, morreu de “desidratação e choque”, reportou o jornal, que cita o serviço de vigilância de fronteiras dos Estados Unidos (CBP).

A pequena, que estaria vários dias sem comer e beber, começou a sofrer convulsões cerca de oito horas após ser detida. Ela foi enviada a um hospital, mas os médicos não conseguiram salvá-la.

Os serviço de emergência constataram que a temperatura da menina chegava a 41º C, segundo o Post. As identidades da menina e de seu pai não foram reveladas.

Esta tragédia, que gerou comoção nos Estados Unidos, ocorre em um momento em que há quase 15.000 menores estrangeiros desacompanhados a cargo do Departamento de Saúde e Serviços Humanos (HHS). Segundo as estatísticas, estas crianças passam em média 60 dias nestes centros.

As autoridades americanas confirmaram que a menina faleceu em 8 de dezembro, mas indicaram que seguiram os protocolos adequados e que agora é preciso aguardar o resultado da necropsia, que pode demorar semanas.

Em um informe consular, as autoridades guatemaltecas informaram que um grupo de migrantes entre os quais estava um homem de 29 anos e sua filha de sete foram detidos na noite de 6 de dezembro pelas autoridades fronteiriças americanas no Novo México.

“De acordo com a informação oficial no trajeto para a estação de patrulha fronteiriça de Lordsburg, a menina apresentou um quadro de febre e vômitos”, o que exigiu que os paramédicos a atendessem para estabilizá-la, informaram as autoridades consulares guatemaltecas, que informaram que pela manhã o estado de saúde da menina se agravou.

Segundo o Departamento de Segurança Interior (DHS) dos Estados Unidos, o grupo era composto de 163 personas.

Quando a menor levava oito horas detida, começou a ter convulsões, segundo o DHS. Então, foi examinada e como tinha mais de 40ºC de febre, as autoridades decidiram transferi-la em uma ambulância aérea para a localidade de El Paso, no Texas.

As autoridades americanas informaram que no hospital a menina foi ressuscitada após sofrer uma parada respiratória, mas que não conseguiu se recuperar e veio a óbito 24 horas despois.

O pai, que ficou em El Paso, foi atendido por representantes do consulado da Guatemala, que o ajudaram com um intérprete, pois sua língua materna é o queqchi.

“Tolerância zero”

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tem feito da tolerância zero com a imigração ilegal um dos eixos da sua administração, o que provoca críticas e acusações de que que demoniza os migrantes com o objetivo de obter frutos políticos.

Uma caravana de milhares de migrantes centro-americanos chamou a atenção. Eles chegaram a Tijuana, México, ao sul de San Diego, Califórnia, em um desafio a Trump, que denuncia uma “invasão”.

Mas os migrantes, que fogem da pobreza e da violência, arriscam suas vidas em viagens perigosas pelo Novo México, Texas e Arizona, para chegar aos Estados Unidos.

A secretária do DHS, Kirstjen Nielsen, expressou suas condolências pela morte da menina e disse que as autoridades atenderam a criança imediatamente.

“Este é um exemplo muito triste dos perigos desta travessia. Esta família escolheu cruzar ilegalmente”, afirmou em entrevista à emissora Fox.

O CBP expressou pêsames pela morte da menina.

“Os guardas da fronteira fizeram tudo o possível para salvar a menina”, afirmou o porta-voz do CBP, Andrew Meehan.

“Como pais e mães, irmãos e irmãs, nos identificamos com o falecimento de qualquer criança”, disse.

Para conter os migrantes, o presidente Trump deseja construir um muro na fronteira com o México. Ele ordenou a mobilização de milhares de soldados e separou mais de 2.000 crianças migrantes de seus pais como parte da política de “tolerância zero” com a imigração ilegal.