Morales cede, e estrada não passará por reserva indígena boliviana

Os habitantes indígenas de Tipnis marcharam por 66 dias desde a Amazônia boliviana até La Paz para convencer o presidente

La Paz – O presidente da Bolívia, Evo Morales, aceitou nesta sexta-feira que uma estrada financiada pelo Brasil não atravesse o parque natural de Tipnis, cujos habitantes indígenas marcharam por 66 dias desde a Amazônia boliviana até La Paz para convencê-lo.

Após meses dizendo que a obra passaria ‘se ou se’ pela reserva, Morales disse que enviará ao Congresso uma reforma que atende à exigência dos indígenas.

O governante afirmou que apresentou a modificação da lei para que ‘a estrada Villa Tunari-San Ignacio de Moxos, como qualquer outra, não atravesse o Território Indígena Parque Nacional Isiboro Sécure (Tipnis)’.

Morales também anunciou que a nova legislação incorporará o conceito de ‘intangibilidade’ para proteger o parque ecológico dos assentamentos de grupos sociais diferentes dos de indígenas que lá vivem. ‘Portanto, o tema Tipnis está resolvido’, disse.

Os nativos do Tipnis acusaram Morales de promover a construção da estrada para que os cultivadores de coca de seu reduto político de Chapare, vizinho da reserva, ampliassem seus cultivos da folha.

O dirigente indígena Rafael Quispe, aimara como Morales, mas que apoia os indígenas da região amazônica, destacou a proposta como um ‘bom sinal’, mas ratificou que restam outras 15 reivindicações que devem ser discutidas pelo presidente com os nativos do Tipnis.

‘Enquanto não forem resolvidos os 16 pontos, aqui ficaremos mobilizados’, disse, por sua vez, o presidente do Tipnis, Fernando Vargas, às portas do Palácio Quemado, sede da Presidência, onde está acampado desde a última quarta-feira.