Modi é a promessa de uma nova era para a Índia

Modi mantém uma alta popularidade com o sonho do crescimento econômico intacto, apesar de ainda não ter realizado grandes mudanças estruturais

Nova Délhi – A chegada de Narendra Modi ao poder nas eleições de maio marcou o ano na Índia e introduziu em cena um novo primeiro-ministro, que tem a intenção de impulsionar o crescimento, reduzir as desigualdades e dar uma maior relevância internacional ao país.

O partido nacionalista hindu BJP, legenda de Modi, impôs a maior derrota eleitoral da história do até então governante Partido do Congresso, da dinastia Nehru Gandhi, enfraquecido por casos de corrupção, piora da economia e falta de popularidade de seu candidato, Rahul Gandhi, filho, neto e bisneto de ex-primeiros-ministros.

O sexagenário Modi, de origem humilde e ex-chefe de governo do estado de Gujarat (no oeste do país, uma das regiões mais desenvolvidas da Índia), reforçou sua imagem de “amigo dos negócios” e impulsor de investimentos durante a campanha eleitoral.

Meio ano após assumir o governo da segunda nação mais povoada do mundo, Modi mantém uma alta popularidade com o sonho do crescimento econômico intacto, apesar de ainda não ter realizado grandes mudanças estruturais.

Um relatório da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE) apresentado em novembro, em Nova Déli, prevê que o Produto Interno Bruto (PIB) do país crescerá 6,6% em 2015 e 6,8% em 2016, contra o 5,4% previsto para 2014.

No entanto, a análise advertia sobre a necessidade de as reformas anunciadas pelo projeto de governo de Modi serem aplicadas o mais rápido possível, para que este crescimento seja alcançado.

Segundo a OCDE, a Índia precisa “conter suas expectativas de inflação” e reduzir o déficit externo, com mudanças estruturais que melhorem o clima de negócios, como, por exemplo, uma reforma que flexibilize o mercado de trabalho e gere empregos para milhões de jovens.

O presidente da Confederação de Indústrias da Índia, Ajay Shriram, destacou também a necessidade de “processos administrativos eficientes em prazos determinados” para pôr fim à complicada burocracia indiana, que dificulta a entrada de novos investidores.

As autoridades indianas foram alvo de críticas de Modi, que durante seu discurso no Dia da Independência da Índia, no dia 15 de agosto, criticou a falta de ética no trabalho e problemas estruturais como a insalubridade do país.

Dois meses depois deste discurso, o líder indiano lançou a campanha “Limpa a Índia”, com o objetivo de conscientizar a população sobre a importância da limpeza e higiene para a saúde, em um país cujas ruas geralmente estão cheias de lixo e a metade de seus 1,25 bilhão de habitantes defecam em espaços públicos por falta de vaso sanitário.

Outro projeto amplamente anunciado pela potente máquina propagandística de Modi foi o plano para dar acesso a contas bancárias para 75 milhões de famílias pobres, a fim de incluir os mais desfavorecidos no sistema financeiro.

Mas a maior repercussão internacional para o governo de Modi aconteceu quando a sonda indiana Mangalyaan chegou à órbita de Marte, no dia 24 de setembro, um marco tecnológico até então conquistado apenas pelos Estados Unidos, Rússia e Europa.

A conquista da sonda Mangalyaan -lançada ao espaço em novembro de 2013, durante o governo anterior- projetou internacionalmente a imagem da chegada de uma “nova era” para a Índia, agora sob o comando de Modi. Além disso, a frenética agenda exterior de Modi contribuiu para esse objetivo.

Os líderes dos países que formam a Associação para a Cooperação Regional do Sul da Ásia: Afeganistão, Bangladesh, Butão, Maldivas, Nepal, Sri Lanka e Paquistão (nação com a qual a Índia travou três guerras) participaram da cerimônia de posse do primeiro-ministro.

Apesar deste gesto entre a Índia e o Paquistão, os meses posteriores à posse do primeiro-ministro foram marcados pela troca de tiros entre as duas potências nucleares na disputada região da Caxemira. O principal momento dos enfrentamentos coincidiu com a entrega do prêmio Nobel da Paz à paquistanesa Malala Yousafzai e ao indiano Kailash Satyarthi.

Os encontros bilaterais de maior destaque aconteceram em setembro, quando o líder indiano recebeu o presidente da China, Xi Jinping, e visitou países como Japão e Estados Unidos, onde foi recebido como uma estrela de rock.

Durante a visita aos EUA, Modi discutiu sobre o programa de subsídios agrícolas indianos com o presidente Barack Obama, o que propiciou o fim do bloqueio da Índia, em novembro, da assinatura de um texto já negociado pela Organização Mundial do Comércio (OMC) para impulsionar as trocas comerciais no mundo todo.

Esse primeiro encontro terá continuidade no início de 2015 com a visita de Obama à Índia. EFE