Ministro deixa o governo britânico e pede novo referendo do Brexit

"O Reino Unido está à beira da maior crise desde a Segunda Guerra Mundial", afirmou o ministro dos Transportes

Londres – Jo Johnson, o irmão caçula de Boris, renunciou ao governo da primeira-ministra do Reino Unido, Theresa May, nesta sexta-feira, pedindo em tom áspero um novo referendo para evitar a vassalagem ou o caos que disse que os planos da premiê para o Brexit provocarão.

Johnson, que era ministro dos Transportes, classificou os planos de May para a separação britânica da União Europeia de “delirantes” e disse que não poderia votar a favor do acordo que ela deve propor no Parlamento dentro de algumas semanas.

“O Reino Unido está à beira da maior crise desde a Segunda Guerra Mundial”, disse Johnson, ex-jornalista do Financial Times que votou pela permanência britânica na UE no referendo de 2016.

Johnson, de 46 anos, classificou o processo como o maior fracasso de governança desde a crise do canal de Suez, em 1956, na qual o Reino Unido foi obrigado pelos Estados Unidos a retirar suas tropas do Egito de forma humilhante.

“Propor à nação a escolha entre dois desfechos profundamente desestimulantes, vassalagem ou caos, é um fracasso de governança britânica em uma escala não vista desde a crise de Suez”, disse.

“Dado que a realidade do Brexit acabou tão distante do que se chegou a prometer, a coisa democrática a fazer é dar ao público a palavra final”, acrescentou.

A libra esterlina caiu abaixo de 1,30 dólar, menor cotação do dia após a renúncia e também recuou diante do euro. Não ficou claro se outros seguirão Johnson e deixarão o governo.

No referendo de junho de 2016, 17,4 milhões de eleitores, ou 51,9 por cento, apoiaram a saída do bloco, e 16,1 milhões, ou 48,1 por cento, escolheram ficar.

“O referendo de 2016 foi o maior exercício democrático da história deste país. Não teremos um segundo referendo em nenhuma circunstância”, disse Downing Street. “A primeira-ministra agradece Jo Johnson por seu trabalho no governo”.

Johnson é o 14o ministro a renunciar desde novembro do ano passado. Sua crítica sublinha os percalços que May enfrenta para que um acordo para o Brexit, que Londres e Bruxelas dizem estar 95 por cento completo, seja aprovado por seu partido dividido.

Seu irmão Boris, que renunciou ao cargo de ministro das Relações Exteriores em julho, louvou sua decisão, dizendo que ambos estão “unidos no desalento” pela maneira como a premiê está conduzindo as negociações.

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