Ministra que assumiria Porto Rico após queda do governo recusa cargo

Wanda Vázquez, secretaria de Justiça, assumiria temporariamente no lugar de Ricardo Rosselló, que renunciou após ter mensagens ofensivas vazadas

A secretária de Justiça de Porto Rico, Wanda Vázquez, que deveria substituir temporariamente o governador Ricardo Rosselló, forçado a renunciar por um maciço movimento de protesto, disse neste domingo (28) que não tinha interesse em assumir o cargo.

“Reitero, não tenho interesse em ocupar o cargo de governadora”, escreveu Vázquez no Twitter.

“Espero que o senhor governador identifique e submeta um candidato ao posto de Secretário/a de Estado antes de 2 de agosto e assim o manifestei”, acrescentou, prolongando uma crise política que dura várias semanas na ilha caribenha.

Os protestos começaram em meados de julho, após a difusão de um chat no aplicativo Telegram entre o governador e onze funcionários locais, anteriores e atuais.

Os homens fizeram brincadeiras misóginas e comentários homofóbicos, inclusive sobre o cantor Ricky Martin. Em uma das mensagens, um colega de Rosselló brinca sobre as vítimas do furacão Maria, que matou quase 3.000 pessoas em setembro de 2017.

Diante das manifestações multitudinárias, encabeçadas por artistas famosos, Rosselló anunciou nesta quarta-feira sua renúncia, efetiva a partir de 2 de agosto.

Ele disse que seria substituído temporariamente por Vázquez, segundo nome do governo.

Mas o anúncio não acalmou a revolta dos manifestantes, que também pediram sua saída nas redes sociais com a hashtag #WandaRenuncia.

O rapper Residente, que participou em vários protestos, convocou neste domingo pelo Twitter uma manifestação na segunda-feira no Ministério da Justiça em San Juan.

Ex-colônia espanhola, transformada em território americano sob o status especial de”Estado Livre Associado”, Porto Rico luta por se recuperar do furacão Maria e 44% da população vive abaixo da linha da pobreza.

A ilha também é sacudida por um escândalo de corrupção depois que seis funcionários locais foram acusados de desviar 15 milhões de dólares de recursos federais destinados à reconstrução.