Militares negam morte de ex-ditador Hosni Mubarak

A agência oficial egípcia Mena afirma que ex-ditador está 'clinicamente morto'. Tensão cresce com guerra de versões

São Paulo – O general Mamdouh Shahin, membro do Conselho Supremo das Forças Armadas do Egito, disse à rede CNN que o ex-ditador Hosni Mubarak não está ‘clinicamente morto’ conforme foi relatado pela agência oficial Mena, alimentando a guerra de versões sobre o estado de saúde do tirano e aumentando a tensão no país. De acordo com Shahin, Mubarak segue em “estado crítico”. Fontes militares ouvidas pela agência Reuters também negam que o ex-ditador esteja morto – disseram que ele estaria inconsciente, mantido por aparelhos.

A informação foi veiculada em um momento de tensão no Egito, devido aos crescentes protestos contra o que os islamitas chamam de “golpe de estado” dado pelos militares, que dissolveram a Assembleia às vésperas do segundo turno das eleições presidenciais, as primeiras do pós-Mubarak.

A junta militar que sucedeu Mubarak no poder é frequentemente acusada de levar muito lentamente o processo de transição para a democracia, ou mesmo de não ter intenção de ceder o poder. O resultado oficial das eleições deve ser divulgado na quinta-feira. Até o momento, ambos os lados reivindicam a vitória.

Saúde – Mubarak, de 84 anos, está em uma ala médica da prisão de Tora, no sul do Cairo, desde sua condenação à prisão perpétua, no dia 2 de junho, quando seu estado de saúde declinou. A família do tirano pediu que ele fosse transferido para um hospital, como havia ocorrido antes de sua condenação, mas as autoridades respoderam que o ex-ditador seria tratado “como qualquer prisioneiro”.

Mubarak foi condenado à prisão perpétua pelos crimes cometidos durante a repressão às revoltas que puseram fim a seu governo, no início de 2011, quando mais de 800 pessoas morreram.