Milhares de sírios protestam e desafiam repressão

Protestos começaram logo após as orações, apesar da presença do exército nas ruas

Cairo – Milhares de sírios desafiaram nesta sexta-feira com protestos a repressão do regime de Bashar al Assad, que novamente tentou conter a oposição com uma ofensiva militar que deixou pelo menos 13 mortos.

O porta-voz dos Comitês de Coordenação Local, Omar Edelbe, disse à Agência Efe que “a repressão mais forte” ocorreu na localidade de Duma, na província oriental de Rif Damasco, onde cinco pessoas morreram, e em Aleppo, onde duas pessoas morreram por disparos das forças de segurança.

Nesta jornada, as manifestações começaram durante a manhã e se intensificaram após a oração muçulmana do meio-dia.

Apesar do estrito cerco do Exército e das forças de segurança sobre as cidades, especialmente nos arredores das mesquitas, milhares de pessoas saíram às ruas para pedir a queda do regime de Assad.

“Os agentes de segurança se anteciparam às manifestações com campanhas de detenções de ativistas e disparos ao ar”, disse Ebelde em conversa por telefone com à Efe de Beirute, onde está refugiado.

Ao longo do dia, os membros das forças de segurança dispararam contra “todos os participantes das manifestações”, acrescentou.

Em Duma, uma das localidades onde a repressão foi mais intensa, cinco pessoas, entre elas uma mulher e um jovem de 16 anos, morreram por disparos.

Outro ponto de conflito foi um bairro de Aleppo, onde dois manifestantes morreram.

Além disso, foram registradas duas vítimas em Idleb (nordeste) e uma em Saqba (leste), uma em Deir ez Zor (nordeste), uma em Homs (centro) e outra em Hama (centro).

A versão oficial destes incidentes é bem distinta. A agência de notícias estatal “Sana” informou sobre a morte de três membros das forças de segurança e dois civis por “disparos de grupos armados e franco-atiradores”.

Segundo a agência, as forças da ordem responderam a estes ataques e conseguiram matar quatro homens armados e prender um número indeterminado deles em Duma, Aleppo e Ariha (Idleb).


Devido ao bloqueio que o regime sírio impôs aos meios de comunicação internacionais, fica muito complicado verificar de forma independente as informações sobre os mortos oferecidas pelos grupos de oposição e pelas autoridades.

Quanto aos protestos, Edelbe afirmou que em um bairro de Homs “foi registrada uma marcha de crianças”, enquanto na capital Damasco também ocorreram manifestações.

Segundo o ativista, em Aleppo as manifestações no país estão se intensificando “gradualmente”.

Por sua vez, o Observatório Sírio para os Direitos Humanos denunciou a invasão de tanques e veículos blindados em uma cidade da província de Idleb, próxima à fronteira com a Turquia.

Agentes de segurança sitiaram as mesquitas de toda a localidade de Baniyas, em Homs, para impedir as manifestações, enquanto vários veículos blindados que transportam pistoleiros do regime patrulhavam as ruas.

Também na localidade de Daraya, na província de Rif Damasco, as forças de segurança dispararam contra os participantes de uma manifestação que teve início quando as autoridades impediram os moradores de enterrar o corpo de um soldado.

O Observatório Sírio para os Direitos Humanos informou ainda sobre a detenção de um escritor e poeta sírio que é membro da União de Escritores Árabes.

A detenção, que aconteceu na província de Homs, onde pelo menos 12 pessoas morreram nesta quinta-feira, foi realizada a fim de forçar seu filho, um ativista, a se entregar às autoridades.

Desde o início da revolta popular contra Assad em meados de março, mais de 2 mil pessoas morreram, segundo fontes da oposição e organizações pró-direitos humanos sírias.