Milhares de norte-coreanos se manifestam contra resolução

Segundo a imprensa oficial da Coreia do Norte, cerca de 100 mil pessoas participaram de manifestação contra resolução da ONU

Seul – Cerca de 100 mil pessoas participaram de uma manifestação em Pyongyang, a capital da Coreia do Norte, informou nesta quarta-feira a imprensa oficial desse país, para denunciar a resolução da ONU que quer levar as autoridades norte-coreanas à Justiça internacional pelas violações de direitos humanos do regime.

Membros do alto escalão do governo e do Partido dos Trabalhadores, militares, operários, camponeses e estudantes participaram ontem desse protesto incomum. Os manifestantes qualificaram como uma “declaração de guerra” a resolução das Nações Unidas, segundo a agência estatal “KCNA” e a emissora de televisão “KCTV”.

Na semana passada, a Assembleia Geral da ONU adotou uma resolução proposta pela União Europeia e o Japão para levar a Coreia do Norte ao Tribunal Penal Internacional (TPI) por “crimes contra a humanidade”. No entanto, para que essa resolução tenha efeito, terá que ser referendada em dezembro e aprovada posteriormente no Conselho de Segurança.

Até agora, a Coreia do Norte protestou fortemente contra a iniciativa e inclusive ameaçou realizar um novo teste nuclear.

No ato de ontem, que não contou com o líder Kim Jong-un, os porta-vozes do governo afirmaram que a resolução é “um cínico produto político criado para manchar a dignidade da República Popular da Coreia (nome oficial do país) e acabar com todo o respeito do Exército e do povo”, segundo a “KCNA”.

Além disso, reforçaram sua posição de que a iniciativa da ONU responde aos interesses dos Estados Unidos, um país que definiram como “o maior violador dos direitos humanos” no mundo.

A resolução não vinculativa da ONU, aprovada com 111 votos a favor e 19 contra no último dia 18, pede que medidas sejam tomadas para fazer com que os responsáveis pelos abusos na Coreia do Norte “prestem contas”, inclusive o líder Kim Jong-un.

Se o caso chegar ao Conselho de Segurança, espera-se que China e Rússia utilizem seu direito de veto para evitar que as violações de direitos humanos do regime, documentadas em um relatório da ONU publicado em março, possam ser julgadas em Haia.

O texto, produto de uma exaustiva investigação baseada em depoimentos de pessoas que fugiram do país, revelou provas de extermínio, assassinato, escravidão, desaparecimento forçado, execuções sumárias, tortura, violência sexual, abortos induzidos e privação de alimentação, entre outros.

Além disso, calculou que cerca de 120 mil pessoas permanecem detidas nos campos de trabalho forçado espalhados pelo território norte-coreano.

O governo da Coreia do Norte, que até agora não permitiu o acesso dos inspetores ao país para observar a situação “in loco”, sempre argumentou que os relatórios sobre direitos humanos em seu país são inventados e têm o objetivo de favorecer os interesses políticos dos EUA.