Milhares de jovens se unem em protesto pelo clima

Liderados por jovem sueca de 16 anos, estudantes de mais de 100 países deixam salas de aula para se manifestar

“Se fatos não importam mais, se políticos não escutam os cientistas, por que eu deveria ir à escola?”. Esse foi o questionamento que motivou a sueca Greta Thunberg, de 16 anos, a protestar sozinha na frente do parlamento sueco em prol de um debate sobre as mudanças climáticas. Hoje, a estudante lidera o movimento de Greve da Juventude pelo Clima, que terá seu pico nesta sexta-feira, 15, quando estudantes de mais de 10 mil escolas, de 105 países, deixarem a sala de aula para chamar atenção sobre o meio ambiente.

O protesto recebeu apoio de algumas lideranças de peso, como a do chefe da Anistia Internacional, Kumi Naidoo, que disse que as crianças estão constrangendo os líderes e políticos com determinação de mostrar a importância da batalha pelo meio ambiente. “Crianças ouvem com frequência que são os ‘líderes do futuro’, mas se eles esperarem até amanhã, pode ser que não haja futuro para liderar”, comentou.

No Brasil, segundo a organização, 19 cidades estarão participando da Greve pelo Futuro, como está sendo chamada por aqui. Na capital paulista, a manifestação foi convocada no Vão Livre do Museu de Arte de São Paulo. Já no Rio de Janeiro, os protestos vão acontecer em frente à Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj). Outras cidades, como Belo Horizonte, Goiânia, Salvador, Florianópolis e Brasília (DF) também tem movimentações estudantis programadas.

A hashtag de mobilização #FridaysForFuture, ou Sextas para o futuro, ganhou as redes em agosto de 2018, quando a menina sueca resolveu faltar a escola durante três semanas para protestar pelo cumprimento do Acordo de Paris sobre o Clima. Após receber atenção nas redes sociais, Greta foi convidada a se apresentar em uma palestra TED Talk, e a discursar em uma conferência das Nações Unidas sobre o clima, bem como no Fórum Econômico em Davos, em janeiro.

Depois de ganhar visibilidade, o protesto se espalhou pelas ruas de dezenas de cidades do mundo e recebeu apoio de muitos adultos também. Nas praças, ao lado de Greta, é possível ver grupos de apoiadores formados por escritores, cientistas e empreendedores. Na Bélgica, milhares de trabalhadores aderiram à greve nesta sexta-feira, 14.

Quando alguém desmerece as manifestações por serem lideradas por jovens, a estudante sueca somente responde que as crianças não deveriam estar fazendo isso. “Não deveríamos sentir que nosso futuro está ameaçado a ponto de precisar faltar às aulas para lutar por isso”, responde, acrescentando que “é um fracasso das gerações anteriores que não fizeram nada”.