Marcação cerrada de Hillary

Primeiro ele, depois ela. Pelo menos na agenda de campanha. Dois dias depois de Donald Trump visitar Detroit e anunciar um plano econômico sob medida para os eleitores republicanos tradicionais, hoje é o dia de a democrata Hillary Clinton visitar o estado de Michigan. É um reduto democrata desde os anos 90, e ela, claro, não está disposta a perdê-lo.

Hillary deve focar seu discurso nos mesmos tópicos do adversário: economia e ataques ao adversário. Na semana passada, Trump viu sua campanha perder fôlego após criticar a família de um herói de guerra. Agora, com um conjunto de propostas apresentadas em Detroit, como a retomada de um antigo projeto de prospecção de petróleo, cortes de impostos e redução de regulações federais, quer mostrar que pode ir além do populismo barato.

Na teoria, Hillary fica mais à vontade que o oponente ao discutir pautas econômicas, mas a audiência de hoje deve ser especialmente refratária. O estado, e Detroit em especial, está entre os grandes perdedores da globalização, que levou empregos das montadoras para bem longe dos grandes lagos.

Nas últimas duas semanas, as pesquisas acentuaram as diferenças e apresentam cada vez mais Hillary à frente, com uma média de 9 pontos percentuais. Ela chega a Michigan hoje apoiada cada vez mais por outros republicanos. Até um ex-governador republicano do estado, William Milliken, disse que apoia a candidata em detrimento do indicado de seu próprio partido. Trump vem perdendo fôlego e tentou uma guinada, a começar por Detroit. Hillary, com a visita de hoje, mostra que a marcação daqui pra frente vai ser cerrada até novembro. Salvo nova reviravolta, ela será a próxima presidente dos Estados Unidos.