Mesmo pressionadas, empresas dos EUA;seguem com;outsourcing

<I>Até o final do ano passado, cerca de 315 000 postos de trabalho de companhias americanas na área de serviços foram alocados em países como a Índia</I>

Apesar do receio das empresas americanas em falar abertamente de transferência de empregos para o exterior, a prática está se acelerando, diz reportagem de The Wall Street Journal nesta segunda-feira (18/10). O jornal americano baseia-se tanto em declarações de executivos americanos ligados a outsourcing quanto nos resultados financeiros colhidos pelas maiores empresas do ramo na Índia. Muitos consultores ouvidos pelo jornal esperam que o ritmo da transferência de empregos cresça ainda mais depois das eleições presidenciais de 2 de novembro.

O tema acabou ocupando um certo destaque na campanha eleitoral à presidência dos Estados Unidos, levando muitas companhias a evitar comentários sobre suas decisões estratégicas, com receio de serem envolvidas em discursos acalorados em defesa dos empregos para os americanos. “Alguns clientes estão esperando pelo fim das eleições”, diz Suresh Senapaty, diretor da Wipro, uma grande empresa de outsourcing na área de tecnologia em Bangalore, “para só depois disso fechar contratos”. Para Senapaty, está claro que a mobilização de força de trabalho não americana tornou-se uma questão política.

Depois de décadas exportando postos de trabalho industriais, o outsourcing americano de hoje está concentrado em serviços como call centers, engenharia e ocupações ligadas à TI. Os maiores fornecedores são Índia, leste europeu e países asiáticos, e a maior vantagem continua sendo o nível salarial muito mais baixo. Segundo a Forrester Research cerca de 315 000 postos de trabalho na área de serviços foram transferidos para fora dos Estados Unidos até o final de 2003.

The Wall Street Journal também menciona empresas americanas de outsourcing, como a EDS: “Ao todo, a EDS emprega 120 000 trabalhadores, dos quais 9 200 em países de baixos salários, como Índia, Irlanda, Brasil e Hungria”. Segundo o jornal, a empresa planeja aumentar o número de empregados em países com mão-de-obra barata para 20 000 até o final do próximo ano.