Na Alemanha, governo de Merkel procura qualquer coalizão

ÀS SETE - Termina hoje o último round de negociações entre partidos para reatar a Grande Coalizão, grupo que governou a Alemanha nos últimos quatro anos

O destino político da Alemanha, e da chanceler alemã Angela Merkel, juntamente com seu partido, a União Democrata Cristã (CDU), será selado nesta quinta-feira.

Termina hoje o último round de negociações entre a CDU e o segundo colocado nas eleições de setembro no país, o Partido Social Democrata (SPD), de Martin Schulz, para que ambos consigam reatar a Grande Coalizão, grupo que governou a Alemanha nos últimos quatro anos.

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Desde domingo, 39 políticos estão trabalhando diariamente em grupos temáticos para discutir os principais pontos de uma nova parceria.

As conversas entre os partidos começaram no final de novembro, mas as negociações não têm sido fáceis: há diversas disparidades ideológicos entre os dois partidos e muitos membros do SPD acreditavam que este era o momento de deixar parte da coalizão e ser uma posição de fato.

Outra ala do partido enxerga que esse é o momento de avançar suas pautas no processo democrático e ganhar espaço dentro do governo. 

Merkel teve de recorrer ao SPD em novembro para formar a maioria, depois que conversas com outros dois partidos menores, o Partido Verde (Grüne) e o Partido Liberal Democrata (FDP), desandaram.

Embora a CDU tenha tido a maior parte dos votos, 32,9%, o desempenho foi o pior para os conservadores desde 1949, o que legou a Merkel a uma situação difícil na negociação de uma coalizão. O SPD teve 20,5% dos votos, mas passou os últimos 4 anos no governo como uma oposição interna. 

Até a noite de quinta-feira, os legisladores tinham chegado a acordos em termos de legislação tributária, redução de emissão de carbono, investimento em transporte público e até em programas para imigrantes qualificados. Mas ainda pendem na balança programas sociais e pautas mais amplas para a imigração.

Caso os dois partidos não consigam firmar uma parceria, sobraria a Merkel um governo de minoria — ou seja, teria que negociar todas as pautas no Bundestag, o parlamento alemão. Se nada for firmado, restará somente chamar novas eleições.

Um desfecho cruel para a maior economia da Europa, que mantinha, até aqui, estabilidade política como um de seus trunfos.