Merkel defende Grécia no euro em meio a protestos

As manifestações reuniram 50 mil pessoas, mas sete mil policiais gregos impediram que os manifestantes se aproximassem da chanceler alemã

Atenas – A chanceler da Alemanha, Angela Merkel, afirmou nesta terça-feira seu apoio à permanência da Grécia na zona do euro durante uma visita relâmpago à capital Atenas, enquanto dezenas de milhares de manifestantes protestavam no centro da cidade contra a visitante e os duros cortes que o país vem sendo forçado a adotar em troca de ajuda financeira dos parceiros europeus. As manifestações reuniram 50 mil pessoas, mas sete mil policiais gregos impediram que os manifestantes se aproximassem da chanceler alemã.

O governo grego se prepara para anunciar uma nova série de medidas de austeridade – no momento em que o país balcânico vive o quinto ano de recessão e quase 25% da força de trabalho está desempregada. Jovens queimaram uma suástica em protesto contra a Alemanha e a polícia teve que usar gás de pimenta e cassetetes para dispersar centenas de pessoas na praça Syntagma, perto da sede do governo. Pelo menos 200 pessoas foram detidas. O governo grego precisa aprovar os novos cortes de 13,5 bilhões de euros, para receber, até meados de novembro, uma tranche de 31 bilhões de euros do segundo pacote de socorro e conseguir honrar seus compromissos com os credores internacionais.


Segundo uma fonte do Ministério de Finanças da Grécia, os novos cortes no orçamento tiveram uma revisão favorável dos inspetores da Comissão Europeia (CE), Fundo Monetário Internacional (FMI) e Banco Central Europeu (BCE), a chamada troica, que estão em Atenas. Essa revisão se arrasta desde o começo de setembro e é vista como crucial para a Europa liberar a tranche de 31 bilhões de euros. O dinheiro só será liberado após a troica apresentar o relatório aos líderes europeus em 18 de outubro.

“A Grécia está determinada a conduzir seus compromissos e superar a crise”, disse o primeiro-ministro grego, Antonis Samaras, que acompanhou Merkel durante a visita. “No momento o país está sangrando mas está determinado a permanecer na zona do euro. Não estamos pedindo por mais dinheiro ou por favores, mas apenas por uma chance de ficarmos em pé”, afirmou. Embora a visita da chanceler alemã tenha sido vista pelo governo grego como um gesto de apoio, a população pressentiu mais medidas de austeridade com a presença da chanceler alemã em Atenas.

As informações são da Associated Press e da Dow Jones.