Mercado agora se volta para a nova composição do Congresso

Extensão da vitória democrata no Congresso americano vai definir a força de um virtual governo Obama em aprovar sua agenda econômica

Enquanto as filas de eleitores engrossam em todo o país, o mercado, que opera em alta nesta terça-feira, pois já havia precificado uma vitória do candidato democrata Barack Obama para a Casa Branca, agora está focado na nova composição do Congresso americano. Os analistas indicam que o êxito de um virtual novo governo democrata em avançar sua agenda econômica – dando um alívio fiscal para a classe média, aumentando a regulação em Wall Street e apoiando os sindicatos – dependerá do poder de forças no Capitólio.

• Na Câmara, hoje o Partido Democrata já conta com uma bancada de 236 deputados, contra 199 republicanos. Segundo as últimas projeções, os democratas devem ganhar mais 30 cadeiras.

• No Senado, hoje os democratas têm uma maioria apertada, com 51 senadores, contra 49 republicanos. Publicamente, os democratas têm dito que vão conseguir formar uma bancada de 60 senadores, mas nos bastidores se dizem satisfeitos com uma bancada de 57 senadores. Se tal previsão se confirmar, o senador Joe Lieberman, de Connecticut, um ex-democrata, hoje independente, e que tem apoiado o candidato republicano John McCain, deve ter grande peso em questões controversas como imigração, acordos comerciais e o desfecho da ocupação militar no Iraque.

• Historicamente, o mercado tem provado não gostar de um mesmo partido dominando a Casa Branca e o Congresso. Nos anos Clinton, hoje lembrados como o período de maior prosperidade da história recente americana, as bolsas de valores e os níveis de emprego e produtividade só começaram a subir depois que os democratas perderam a maioria no Congresso para os republicanos, em 1994.

Essa é a campanha eleitoral mais cara da história americana:

• a campanha de Obama Barack Obama conseguiu arrecadar cerca de 640 milhões de dólares, enquanto McCain arrecadou 164 milhões de dólares. Um terço dos recursos recebidos por Obama vêm de pequenos doadores, em doações de até 200 dólares feitas pela Internet.

• Segundo um levantamento do jornal “USA Today”, grandes escritórios de advocacia e lobistas em geral despontam como os maiores doadores da campanha de Obama, tendo doado 38 milhões de dólares, ou cerca de 8% do total arrecadado.

• Em segundo lugar entre os doadores corporativos de Obama aparecem os setores financeiro e do mercado imobiliário, responsáveis por contribuições da ordem de 35 milhões de dólares, ou 7% do total arrecadado.

• Entre as estrelas econômicas de Obama despontam os mega-investidores Warren Buffett, George Soros, o ex-secretário do Tesouro no governo Clinton, Robert Rubin, e o CEO do Google, Eric Schmidt.