Membro do Seals dá 1ª entrevista sobre morte de Osama

Mark Owen detalha operação de comando de elite em livro recém lançado

São Paulo – Mark Owen, o membro dos Seals que lançou na semana passada um livro sobre a morte de Osama bin Laden pelo comando de elite americano, deu a primeira entrevista de um integrante do grupo detalhando a operação. Em entrevista ao programa 60 minutes, da emissora CBS, Owen lembrou informações do livro No Easy Day (Não Há Dia Fácil) e manteve sua versão de que o ex-líder da Al Qaeda foi baleado assim que saiu do quarto, e não ao voltar ao cômodo para buscar uma arma.

“Se alguém coloca a cabeça para fora do quarto pode muito bem ter uma arma. Você não espera até que um rifle ou uma granada seja lançada pelo corredor, ou que apareça um colete suicida”, disse Matt Bissonnette, que atende pelo pseudônimo de Mark Owen, em entrevista à CBS na noite de domingo, divulgada na íntegra nesta segunda-feira no site da emissora.

Segundo ele, bin Laden ainda se movia após o primeiro tiro e foi baleado novamente quando os Seals entraram no quarto. “Os Seals não podiam ver suas mãos. Então ele poderia ter algo. Poderia ter tido uma granada ou algo embaixo do seu peito”, afirma.

Responsabilidade – Owen também falou sobre o encontro com o presidente Barack Obama, quando os Seals não quiseram revelar quem foi o responsável pela morte de Osama. “Puxar um gatilho é fácil… Não se trata de quem foi essa pessoa, foi um trabalho de equipe, que fez tudo isso funcionar”, disse. “Quem se importa com quem foi essa pessoa? Não faz diferença”.

O governo americano, no entanto, insiste em sua versão oficial da morte de bin Laden – a de que ele só foi baleado depois de voltar ao quarto, levantando temores de que ele iria atirar contra o comando. Antes da publicação, o livro de Owen não foi revisado pelo Pentágono, que advertiu que pode processá-lo por divulgar segredos militares.

O autor – Owen, que agora está aposentado, disse que os seals treinaram a missão cerca de cem vezes usando uma réplica em tamanho real do complexo residencial em que Osama se escondia na cidade de Abbottabad, no Paquistão. Ele foi o segundo homem a entrar no quarto do terrorista, e tirou fotos do corpo que o mundo ainda não viu. No entanto, ele nega que tenha interesses políticos com o seu livro, e sua imagem foi cuidadosamente alterada por esteticistas para que ele não seja reconhecido, assim como a sua voz.