Marinha dos EUA procura “caixa preta” de navio naufragado

Um navio se dirige ao local onde se supõe que tenha naufragado o cargueiro "El Faro" com 33 tripulantes a bordo, após ser apanhado por um furacão

Miami – Um navio da Marinha americana se dirige ao local onde se supõe que tenha naufragado o cargueiro “El Faro” com 33 tripulantes a bordo, após ser apanhado por um furacão, para recuperar a “caixa preta” da embarcação, informaram autoridades que investigam o acidente nesta terça-feira.

O rebocador USNS Apache, da Marinha, zarpou nesta segunda-feira do estado da Virgínia (leste) e se espera que chegue no sábado à última posição conhecida de “El Faro”, perto da ilha Crooked no arquipélago das Bahamas, indicou em um comunicado a americana Junta Nacional de Segurança dos Transportes (NTSB, em inglês).

O Apache leva a bordo um “equipamento especializado para esta missão” de recuperar o gravador de informação de viagem (Voyage Data Recorder, VDR), indicou a NTSB, segundo a qual o aparelho, que registra detalhes da viagem, é chave para reconstituir o trajeto do cargueiro de bandeira americana que naufragou em 1º de outubro.

A Guarda Costeira americana acredita que “El Faro” tenha ido a pique em uma região com mais de 4.000 metros de profundidade, depois de enviar um sinal por satélite anunciando que estava perdendo propulsão e fazendo água, quando era castigado pelo poderoso furacão Joaquín.

Durante dias, socorristas fizeram intensas buscas por sobreviventes entre os 28 americanos e 5 poloneses da tripulação, mas só encontraram os restos mortais de uma pessoa com traje de sobrevivência, um bote salva-vidas muito danificado e um rastro de destroços do barco no mar.

Os trabalhos de busca do rebocador da Marinha “se estenderão por pelo menos duas semanas”, acrescentou a NTSB.

Em contato com a água, o VDR começa a emitir um sinal que pode ajudar nas buscas, segundo as autoridades. A bateria do aparelho dura um mês.

A NTSB indicou nesta terça-feira que “El Faro”, um cargueiro de 41 anos que transportava veículos e outro tipo de carga de Jacksonville, na Flórida, para Porto Rico, tinha sido aprovado em meses anteriores em várias revisões de segurança.

A embarcação estava prestes a ser retirada da rota pelo Atlântico e passar a navegar na costa oeste americana, razão pela qual tinha começado a sofrer modificações técnicas.

A família um membro da tripulação processou na semana passada a empresa Tote Maritime, acusando a proprietária do navio de “negligência” por permitir que zarpasse apesar da ameaça do furacão.