Manifestações e transportes perturbados no 24º dia de greve na França

Faltando poucos dias para o Ano Novo, o movimento contra o projeto de novo sistema de aposentadoria está caminhando para um novo recorde

Os franceses vivem, neste sábado (28), um novo fim de semana complicado nos transportes, no 24º dia de greve contra a reforma do sistema previdenciário, marcado por manifestações reunindo milhares de pessoas.

Faltando poucos dias para o Ano Novo, o movimento social contra o projeto de um sistema de aposentadoria “universal” por pontos, desejado pelo presidente Emmanuel Macron, está caminhando para um novo recorde.

Já supera a greve de 1995 dos transportes (22 dias) e poderá em breve ultrapassar os 28 dias de paralisação na SNCF (companhia nacional de trens) em 1986-1987, que também não deu trégua no Natal.

Especialmente porque a retomada do diálogo entre o governo e as organizações sindicais e patronaisestá prevista para 7 de janeiro.

Vários sindicatos convocaram manifestações para este sábado, às quais deveriam se juntar os “coletes amarelos”, o movimento de protesto social que nasceu no outono (boreal) de 2018.

Em Paris, cerca de 300 “coletes amarelos” saíram da Place de la Bourse, no coração da capital, pouco antes das 11h30 GMT (8h30 de Brasília), com faixas com lemas como “idade limite, idade túmulo”, em referência à “idade de equilíbrio” para a aposentadoria que o governo deseja fixar em 64 anos até 2027.

“Farei greve o tempo que for possível. Vamos nos revesando”, explicou Said Larbi, de 39 anos, maquinista da RATP, dos trens de Paris.

Alguns incidentes foram registrados durante a marcha. Manifestantes mascarados ergueram barricadas com arame farpado e atearam fogo em lixeiras.

As forças de ordem usaram gás lacrimogêneo em resposta aos objetos lançados por manifestantes;

Para os viajantes, a situação nos transportes continua complicada: em média, 6 em cada 10 trens de alta velocidade vão circular até domingo à noite. Em Paris, seis linhas de metrô, de um total de 16, estavam fechadas neste sábado.

Após dias de silêncio, o discurso do presidente francês Emmanuel Macron, em 31 de dezembro, é altamente aguardado.