Mais de 2 milhões de peregrinos celebram em Meca a festa do sacrifício

O rei saudita Salman enviou uma mensagem aos muçulmanos que peregrinagem à Meca para celebrar a festa do sacrifício

Quase 2,4 milhões de féis em peregrinagem à Meca iniciaram nesta terça-feira (21) o ritual da lapidação de Satã, no primeiro dia do Eid al-Adha, a festa do sacrifício celebrada pelos muçulmanos em todo o mundo.

Entoando “Allah Akbar” (“Deus é grande”), os fiéis avançam em ondas sucessivas, sob o olhar vigilante das forças de segurança, para lançar pedras contra a grande estela simbolizando Satã no Vale de Mina, perto de Meca (oeste da Arábia Saudita).

O percurso está repleto de garrafas de plástico vazias e lixo de todos os tipos, e isso não parece perturbar os fiéis.

Todos se lembram da gigantesca confusão em 2015 em Mina, que deixou cerca de 2.300 mortos, mas os peregrinos disseram não temer a repetição de tal catástrofe.

“Estamos sob a proteção de Deus”, diz May Khalifa, uma egípcia de 37 anos que vive em Riad.

“Apesar do cansaço, estou curtindo meu primeiro hajj (grande peregrinação)”, acrescenta ela, mostrando suas pedrinhas numa pequena sacola.

Uma chuva de pequenas pedras cai sobre a estela para a qual convergem os fiéis, cujos movimentos são controlados por milhares de policiais e agentes de defesa civil, bem como por câmeras de vigilância instaladas pelas autoridades sauditas para evitar qualquer incidente.

Mensagem do rei saudita

Este ritual é temido por causa dos incidentes mortais que ocorreram antes mesmo da debandada de 2015, e que levaram as autoridades a construir corredores de concreto e pontes projetadas para garantir o fluxo suave das multidões.

O rei Salman, que apareceu na televisão estatal vendo por uma janela o fluxo de fiéis em Mina, enviou uma mensagem aos muçulmanos.

“A maior honra que o Criador deu ao nosso país é servir aos convidados de Deus (os peregrinos)”, escreveu ele em um raro tuíte.

“Peço a Deus que os peregrinos realizem seu hajj e que o bem e a paz perdurem em nossa nação e em todos os países do mundo”, acrescentou o governante saudita.

Mais tarde, aos organizadores do hajj, ele prestou homenagem aos soldados que caíram na guerra no Iêmen, onde a Arábia Saudita intervém contra os rebeldes huthis apoiados pelo Irã.

“Hoje devemos lembrar nossos mártires e nossos heróis que doaram suas vidas para proteger sua religião e sua pátria”.

Sacrifício de Abraão

Em Mina, a tradição prega que se deve atirar uma a uma sete pedras no primeiro dia do Eid al-Adha na grande estela, um pilar de 30 metros de altura, e 21 pedras no dia seguinte e dois dias depois numa grande, numa média e numa pequena estelas.

Na segunda-feira à noite, os fiéis cataram pedras em Muzdalifa, perto de Meca, depois de passar um dia de oração e meditação no monte Arafat.

Segundo as autoridades, mais de 2,37 milhões de fiéis estão realizando o hajj, que começou no domingo.

Depois do apedrejamento, os peregrinos devem sacrificar um animal para comemorar o sacrifício do profeta Abraão, que segundo a tradição muçulmana mostrou-se disposto a matar seu filho Ismael a pedido de Deus, mas que finalmente sacrificou um carneiro graças a intervenção do anjo Gabriel.

Na realidade, os peregrinos compram cupons das autoridades sauditas que matam os animais e congelam as carcaças antes de enviá-las como ajuda aos necessitados nos países muçulmanos.

Após o ritual de apedrejamento, os fiéis devem ir a Meca para dar a volta na Kaaba, no centro da Grande Mesquita, antes de iniciar o passeio entre Safa e Marwa.

O hajj é um dos cinco pilares do Islã que todo crente deve realizar pelo menos uma vez na vida, se tiver os meios necessários.