Maduro diz que vai decretar duas leis econômicas hoje

Leis têm objetivo de limitar o lucro de varejistas e reorganizar a distribuição de moeda estrangeira na combalida economia venezuelana

Caracas – O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, disse que vai usar os novos poderes que lhe foram atribuídos para decretar duas leis, nesta quinta-feira, com o objetivo de limitar o lucro de varejistas e reorganizar a distribuição de moeda estrangeira na combalida economia venezuelana.

O Parlamento aprovou nesta semana uma lei que permite a Maduro governar por decreto durante um ano, de maneira semelhante ao praticado por seu predecessor Hugo Chávez.

“A oligarquia reagiu com desespero, convoco para que continuemos a ofensiva sem cair em provocações burguesas”, disse o presidente em uma série de tuítes na quarta-feira, em referência a uma revolta da oposição ante a medida.

Maduro disse que iria usar seus poderes especiais para levar adiante uma lei que limita o lucro das empresas a uma faixa de 15 a 30 por cento, e outra que cria um órgão central responsável por supervisionar as transações de dólares a uma taxa oficial de 6,3 bolívares.

Maduro já havia declarado a condução de uma “ofensiva econômica” contra executivos de negócios locais, os quais acusa de inflacionar exorbitantemente os preços de produtos importados –alguns em mais de 1.000 por cento– apear de receberem dólares ao câmbio oficial mais baixo.

A inflação anual da Venezuela atingiu a taxa de 54 por cento ao ano, e é comum a falta de produtos básicos, o que torna a economia o principal assunto do país antes das eleições locais marcadas para 8 de dezembro.


Os críticos de Maduro dizem que os 15 anos de controle socialista da economia e a intimidação do setor privado deixaram a Venezuela caótica. Alguns empresários reclamam que foram obrigados a subir os preços porque tiveram que comprar dólares no mercado negro a preços até nove vezes mais altos que a taxa oficial.

O líder de oposição Henrique Capriles convocou um dia de protestos para todo o país no sábado “contra a crise e a corrupção do governo.” Além das críticas da oposição de que Maduro se comporta de maneira autocrática, os Estados Unidos repreenderam o governo Maduro por usar decretos para governar. Chávez utilizou essa prática três vezes durante seus 14 anos à frente do país sul-americano.