Macron nomeia substituto de chefe do exército após renúncia

François Lecointre, até então chefe do gabinete militar do primeiro-ministro, foi apresentado como tendo "uma sólida experiência"

Paris – O governo da França anunciou nesta quarta-feira a nomeação de François Lecointre como novo chefe do Estado Maior do Exército, apenas três horas após o anúncio da demissão de seu predecessor, Pierre de Villiers, por suas desavenças com o presidente Emmanuel Macron devido ao corte orçamental.

O general Lecointre, de 55 anos, era até agora chefe do gabinete militar do primeiro-ministro, o liberal Edouard Philippe – antes ocupou o mesmo cargo com os socialistas Bernard Cazeneuve e Manuel Valls – e esteve em diferentes missões no exterior, como em Ruanda.

O porta-voz governamental, Christophe Castaner, destacou em sua coletiva de imprensa ao final do Conselho de Ministros que Lecointre tem “uma sólida experiência” em trabalhos de direção e de combate e “é um herói reconhecido pelo exército”, em particular pela missão que efetuou na Bósnia em 1995.

Em relação ao general De Villiers, disse que Macron lhe “prestou homenagem por sua folha de serviços” e por seu papel à frente do exército nos três últimos anos, mas também que “se equivoca” ao criticar a redução da verba orçamental.

Desde 2014, segundo Castaner, se inverteu a tendência de baixa da década precedente e neste ano se chegará à cifra do projeto inicial de orçamentos.

A sua substituição pretende enterrar a crise desencadeada durante a última semana entre De Villiers e Macron devido ao corte do orçamento do Ministério da Defesa de 850 milhões de euros neste ano, dentro dos ajustes para cumprir com o objetivo de um déficit abaixo de 3% do Produto Interno Bruto (PIB).

O agora demitido chefe do Estado Maior do Exército se queixou no último dia 12, com palavras duras, dessa diminuição dos fundos perante a Comissão de Defesa da Assembleia Nacional, que acontecia a portas fechadas.

A sua declaração foi vazada e no dia seguinte Macron lembrou publicamente que ele é o chefe e que cumprirá seu compromisso de aumentar o orçamento de Defesa nos próximos anos, até 2% do PIB no horizonte de 2025, com um passo significativo nessa direção em 2018.