Macron enfrenta a fúria dos sindicatos e trabalhadores públicos

ÀS SETE - Pela primeira vez em mais dez anos nove sindicatos representantes dos trabalhadores franceses convocaram uma greve em conjunto

O presidente francês, Emmanuel Macron, tem um gros problème para encarar nesta terça-feira. Pela primeira vez em mais de 10 anos, nove sindicatos representantes dos trabalhadores públicos franceses convocaram uma greve em conjunto.

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O alvo é a proposta de reforma trabalhista do governo Macron. Estima-se que haja um total de 130 protestos com 90 dos 96 departamentos de governo fechados. Ao todo, 5,4 milhões de pessoas foram convocadas para compor a greve e são esperadas paralisações em escolas, hospitais, aeroportos e repartições.

A reforma Trabalhista, que o governo de Macron passou a toque de caixa, no final de setembro, deve facilitar a negociação de sindicatos com as companhias e também tornar a demissão de trabalhadores mais ágil.

Também são previstos o corte de 120.000 postos de trabalho na administração pública e a redução do tempo de licença para doenças. Embora o projeto já tenha passado, os grevistas tentam reverter o número de demissões e bater de frente com o governo.

Para Macron, o timing dos protestos é péssimo. Ele tenta reverter a imagem ruim que ficou após ter negado aumento de impostos aos mais ricos e ter criticado trabalhadores de uma fábrica na semana passada.

O mandatário ganhou a pecha de “presidente dos ricos” e precisa de apoio em um momento em que tenta negociar uma presença mais forte da França na Europa e mostrar para a Alemanha que está disposto a liderar reformas econômicas no continente.

Em 2014, estima-se que as companhias perderam 81 dias de trabalho a cada 1.000 trabalhadores, por conta de greves. O número é alto, mas muito abaixo dos 300 dias no final dos anos 1990 ou dos mais de 1.000 dias perdidos no final dos anos 1980.

Os sindicatos perderam força e estão menos articulados — ao mesmo tempo que muitos dos postos de trabalho fabris migraram para fora da Europa. Mas, em se tratando de França, é bom Macron não brincar com a sorte.