Macron convoca sindicatos para tratar crise dos coletes amarelos

O encontro acontecerá antes de um esperado discurso público de Macron

O presidente da França, Emmanuel Macron, convocou para amanhã os sindicatos e a patronal para consultá-los e, sobretudo, apresentar-lhes as medidas com as quais pretende abordar a crise dos “coletes amarelos”, a mais grave dos seus 19 meses de mandato.

Segundo a emissora “France Info”, a reunião, marcada para as 10h (horário local, 7h de Brasília), também contará com a presença dos presidentes da Assembleia Nacional e do Senado, assim como responsáveis de associações de municípios e regiões.

O encontro acontecerá antes de um esperado discurso público de Macron, que o Palácio do Eliseu, sede do Executivo francês, confirmou hoje que será também amanhã às 20h (17h).

O chefe de Estado francês guardou silêncio durante toda esta semana, desde que voltou no domingo da Cúpula do G20 em Buenos Aires, e deixou que seu primeiro-ministro, Édouard Philippe, tratasse da gestão dos protestos dos “coletes amarelos”.

Philippe recebeu na sexta-feira passada uma delegação de uma facção considerada moderada desse movimento, enquanto a ministra do Trabalho francesa, Muriel Pénicaud, se reuniu com a patronal e os sindicatos, exceto a Confederação Geral do Trabalho (CGT, a segunda maior do país), que a boicotou.

Após a quarta jornada de mobilização dos “coletes amarelos”, na qual voltaram a ocorrer distúrbios em Paris e em outras cidades do país neste sábado, também se repetiram em todo o espectro político os pedidos para que Macron intervenha rapidamente.

Dentro do seu próprio Executivo, o ministro de Relações Exteriores, Jean-Yves Le Drian, antigo líder socialista, expressou hoje sua esperança de que a intervenção do chefe do Estado resolva a situação das últimas semanas e permita “um novo contrato social” com os franceses.

Em declarações à emissora “LCI”, Le Drian ressaltou que “agora a questão principal é o poder aquisitivo” e que as palavras de Macron demonstrarão que “entendeu este movimento” e vai fixar a direção para que o país se encaminhe a “um novo contrato social indispensável”. EFE