Macri e Dilma abordam situação na Venezuela

Dilma Rousseff recebeu o presidente eleito da Argentina, com quem concordou em "observar com atenção" o desenvolvimento das eleições de domingo na Venezuela

Brasília – A presidente Dilma Rousseff recebeu nesta sexta-feira o presidente eleito da Argentina, Mauricio Macri, com quem concordou em “observar com atenção” o desenvolvimento das eleições legislativas de domingo na Venezuela e instar a União Europeia (UE) a negociar com o Mercosul.

Macri iniciou sua primeira viagem ao exterior como presidente eleito da Argentina em Brasília, onde hoje foi recebido por Dilma no Palácio do Planalto para uma reunião que se estendeu durante pouco mais de uma hora.

Um dos assuntos tratados, segundo disseram fontes brasileiras e confirmou o próprio Macri, foi a situação da Venezuela frente às cruciais eleições parlamentares que acontecerão no próximo domingo.

Em entrevista coletiva oferecida no próprio Palácio do Planalto, Macri baixou o tom de suas declarações em relação à Venezuela e evitou alusões a sua intenção de pedir que o Mercosul sancione esse país por uma suposta falta de liberdades e pela situação dos presos políticos, ao que Dilma já havia se mostrado contra.

No entanto, declarou que suas posições não são tão distantes. “Não sinto que tenhamos posições tão desencontradas. Ambos temos compromissos muito firmes com a democracia”, sustentou.

Macri também disse que ele e Dilma observarão “com atenção o que acontecer no domingo e nos dias posteriores” e analisarão o resultado do processo eleitoral venezuelano em reunião que terão na próxima quinta-feira em Buenos Aires, no marco de sua posse.

Além disso, mostraram uma plena concordância no sentido que ambos países consideram uma “prioridade” a prolongada negociação entre a UE e o Mercosul e instaram o bloco europeu a sentar-se à mesa para cumprir com a troca de ofertas.

“Tendo em vistas que a oferta do Mercosul está pronta desde julho de 2014”, ambos “renovaram sua expectativa de que a UE cumpra o compromisso assumido em junho de 2015 e finalize sua oferta o mais rápido possível”, afirma uma nota divulgada pela presidência brasileira após a reunião.

O comunicado acrescenta que a troca de ofertas permitirá o início de uma “nova e definitiva fase” de negociações que “são prioritárias” para a Argentina e Brasil e “também para seus sócios no Mercosul”, que são Uruguai, Paraguai e Venezuela, embora este último não participe das conversas com a UE.

Na entrevista coletiva, Macri reiterou seu desejo que o Mercosul e a UE “ponham suas ofertas sobre a mesa ao mesmo tempo” e no prazo mais curto possível.

Também reconheceu que, como ocorreu durante as quase duas décadas que duram estas negociações, “o ponto mais delicado é a integração agrícola”.

Embora ambos blocos tenham decidido que a troca de ofertas se realizaria antes do final deste ano, o encontro das equipes técnicas responsáveis por esse ato ainda não tem uma data decidida.

No domingo passado, o secretário de Estado de Comércio da Espanha, Jaime García-Legaz, disse em Bruxelas, após uma reunião do Conselho de Ministros da UE, que no bloco comunitário há uma maioria “amplíssima” de membros favoráveis ao acordo, mas que a França se opõe devido à “falta de ambição” do Mercosul.

Macri também comentou a delicada situação política no Brasil e a possibilidade que Dilma seja submetida a um processo de impeachment.

“Ela me explicou a situação e o que acontecendo e me pareceu muito tranquila”, declarou Macri, que não quis se aprofundar em comentários, mas disse que confia “plenamente nas instituições” do Brasil, que “nas últimas décadas foi construindo sistematicamente sua democracia”.

Após sua reunião com Dilma, Macri viajou a São Paulo para uma reunião com diretores da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). Depois partirá rumo a Santiago, onde esta mesma noite se reunirá com a presidente chilena, Michelle Bachelet.