Luto nacional no Quênia e busca por corpos em Nairóbi

O Quênia inicia hoje luto nacional de três dias após o ataque ao shopping de luxo Westgate de Nairóbi por um grupo islamita, que deixou pelo menos 67 mortos

Nairóbi – O Quênia inicia nesta quarta-feira o luto nacional de três dias após o ataque ao shopping de luxo Westgate de Nairóbi por um grupo islamita, que deixou pelo menos 67 mortos, e onde os serviços de resgate buscavam entre os escombros corpos e explosivos.

Pelo menos 61 civis, seis membros das forças de segurança quenianas e cinco terroristas morreram no ataque iniciado sábado e que chegou ao fim na terça-feira à noite. Várias pessoas estão desaparecidas e 175 ficaram feridas.

Os islamitas shebab, grupo somali vinculado à Al Qaeda que reivindicou o ataque, anunciou no Twitter que 137 reféns morreram na ação.

O presidente queniano, Uhuru Kenyatta, e seu governo “devem ser considerados responsáveis pela perda das vidas de 137 reféns nas mãos dos mujahedines”, afirma a mensagem dos islamitas.

Eles também acusaram as forças quenianas de terem utilizado “gás químico” para acabar com o ataque e de terem “provocado o desabamento do edifício, para enterrar as provas e todos os reféns sob os escombros”.

Um britânico está entre os detidos pelo ataque de Nairóbi, anunciou o governo da Grã-Bretanha.

“Podemos confirmar a detenção de um cidadão britânico em Nairóbi”, disse uma porta-voz do Foreign Office (ministério das Relações Exteriores), antes de informar que existem conversações “para oferecer assistência consular de rotina”.

A porta-voz não informou se o detido é homem ou mulher. Fontes da diplomacia queniana afirmaram na terça-feira que havia uma cidadã britânica entre os terroristas, dando a entender, sem citar o nome, que seria Samantha Lewthwaite, de 29 anos, filha de um militar britânico e viúva de um dos autores dos atentados de Londres em 2005.


Conhecida como “a viúva branca”, esta muçulmana convertida era casada com Germaine Lindsay, um dos quatro homens-bomba que atacaram os transportes públicos de Londres em julho de 2005, uma ação que matou 52 pessoas.

Esta mãe de três filhos, que as autoridades acreditam que mora há dois anos no leste da África, era procurada pela polícia queniana antes do ataque ao shopping Westgate por suposto envolvimento em planos para atacar alvos ocidentais.

Na terça-feira, em um discurso na TV para anunciar o fim de um cerco de quase 80 horas, Kenyatta, advertiu que o número de vítimas aumentaria, já que o teto do Westgate desabou parcialmente.

O presidente decretou três dias de luto e prometeu perseguir os criminosos.

“Ainda há corpos nos escombros”, disse.

Na manhã desta quarta-feira, as esquipes de resgate trabalhavam nas imediações do centro comercial destruído por tiros, explosões e incêndios.

Especialistas em explosivos auxiliados por robôs teleguiados inspecionavam o local para verificar se os islamistas não deixaram bombas na área.

Cães farejadores também auxiliavam nas buscas por bombas e corpos de de desaparecidos.