Lugo admite que não teve ‘caráter político’

Sobre concorrer novamente à presidência, Lugo respondeu que sim, "se as leis e o povo permitirem"

Assuncion – O ex-presidente Fernando Lugo admitiu que lhe faltou “caráter político” para governar o Paraguai, em entrevista concedida nesta quinta-feira, na qual evitou comentar a “intromissão” do chanceler venezuelano, Nicolás Maduro, para impedir sua destituição.

“Cometi muitos erros. Me faltou caráter político, ser mais firme em minhas decisões”, disse Lugo à rádio Asunción 730 AM.

O ex-presidente atribuiu a instabilidade de seu governo à má relação com o partido Liberal Radical Autêntico (PLRA), principal grupo da Aliança que o levou ao poder em 2008.

“Queria sempre impor a institucionalidade ao PLRA e aos partidos políticos. Falava com o presidente (do PLRA), mas não era com ele que deveria falar, e sim com as correntes internas, mas é muito difícil chegar às correntes internas”.

Lugo afirmou que foi o PLRA que resolveu levá-lo ao julgamento político no Congresso, após acertar tudo com a terceira força parlamentar, a União Nacional de Cidadãos Éticos (Unace), liderada por Lino Oviedo.

Sobre concorrer novamente à presidência, Lugo respondeu que sim, “se as leis e o povo permitirem”. O artigo 229 da Constituição paraguaia proíbe a reeleição “em todos os casos”.


Ao ser questionado sobre a participação do chanceler Nicolás Maduro em uma reunião com os comandantes militares paraguaios no dia de sua destituição, Lugo desligou o telefone.

A presença de Maduro no Palácio de Governo junto aos comandantes militares das três armas, poucos minutos antes de ser divulgado o veredicto do julgamento político contra Lugo, foi registrada por um vídeo divulgado na terça-feira por ordem do novo presidente paraguaio, Federico Franco.

A Justiça do Paraguai anunciou na segunda-feira o início de uma investigação sobre a suposta intromissão de Maduro junto aos comandantes militares para evitar a destituição de Lugo.

Na semana passada, a ministra da Defesa do Paraguai, Maria Liz García de Arnold, acusou Nicolás Maduro de convocar os comandantes militares a agir para defender Lugo, destituído em 22 de junho passado.