Liga Árabe se reúne com mortes de palestinos na pauta

ÀS SETE - Mais do que as mortes, os países deverão discutir os futuros impactos políticos e diplomáticos que a parte muçulmana terá na região

A Liga Árabe realiza nesta quinta-feira uma reunião extraordinária para discutir crise política na Palestina e, consequentemente, no Oriente Médio. Convocada pela Arábia Saudita, a reunião terá como tema principal a mudança da embaixada dos Estados Unidos em Israel para a cidade de Jerusalém, e o ataque de tropas israelenses a palestinos. Na segunda-feira, palestinos foram à fronteira da Faixa de Gaza com Israel e entraram em confronto com tropas do país. O saldo foi de 60 mortes e milhares de feridos.

O governo israelense se justificou, afirmando que o uso de armas letais foi decorrente da provocação de manifestantes do grupo extremista Hamas, que teriam suscitado a população palestina a entrar em conflito nas fronteiras da Faixa de Gaza com o país.  Além disso, o governo afirmou que a região fronteiriça não deve aplicar as leis humanitárias internacionais, uma vez que está em permanente “estado de guerra”.

Mas mais do que os ataques, os países membros também deverão discutir os futuros impactos políticos e diplomáticos que a parte muçulmana terá na região. Para os principais líderes da Liga, a mudança foi uma “clara violação do direito internacional”, uma vez que a cidade não é reconhecida como a capital de Israel pela comunidade internacional.

Fundada em 1945, a Liga de Estados Árabes é composta por 22 Estados, e conta com uma população de mais de 200 milhões de habitantes. De maioria muçulmana, a Liga entendeu que o conflito entre palestinos e israelenses ultrapassou o território de Jerusalém, e afetou a religião como um todo.

Da reunião, porém, não deve resultar nada de concreto. Pior: o risco é aumentar ainda mais a temperatura na região. A Liga espera formalizar uma condenação da decisão dos Estados Unidos e dos ataques de Israel. O posicionamento, porém, não mudará a decisão da mudança. Os palestinos são tratados como mártires por grupos muçulmanos.

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