Líder dos talibãs paquistaneses morre em ataque dos EUA

Os talibãs e o governo paquistanês ainda não confirmaram nem desmentiram os fatos

Islamabad – Hakimullah Mehsud, líder do maior grupo talibã do Paquistão, morreu nesta sexta-feira em um ataque realizado por um avião não tripulado dos Estados Unidos (drone) na zona tribal do Waziristão do Norte (noroeste), informaram fontes da inteligência local.

O chefe do Taliban e Therik Paquistão (TTP) foi morto junto com outros quatro insurgentes quando, depois de deixar uma mesquita em Danda Darpakhel, um avião-espião americano atacou o veículo no qual viajavam, segundo o jornal “Dawn”.

De acordo com o jornal, várias fontes militares e dos serviços de inteligência confirmaram a morte do líder talibã, assim como a de outros dois importantes membros do TTP, Abdullah Bahar Mehsud e Tariq Mehsud.

Os talibãs e o governo paquistanês ainda não confirmaram nem desmentiram os fatos.

Danda Darpakhel está localizada a cerca de cinco quilômetros da capital do distrito, Miransha, um importante forte dos talibãs onde ontem um ataque similar com um drone causou a morte de outras três pessoas.

O ministro de Interior paquistanês, Chaudhry Nisar Ali Khan, tinha confirmado, antes de saber da notícia da morte de Mehsud, os ataques com drones na região, algo que qualificou como uma tentativa de sabotar as negociações de paz com os talibãs.

O governo paquistanês tinha afirmado hoje pela boca de seu porta-voz, Pervez Rashid, que estaria preparado em duas semanas para iniciar negociações com o TTP.


As declarações de Rashid se seguiram ao anúncio efetuado ontem em Londres pelo primeiro-ministro paquistanês, Nawaz Sharif, que afirmou que as conversas já tinham começado, embora fontes oficiais tenham suavizado pouco depois as palavras do chefe de gabinete.

Fontes governamentais, citadas – mas não identificadas – hoje pelo jornal “Express Tribune”, afirmaram que “o que se iniciou não são as conversas formais, mas o processo de diálogo”.

Por sua parte, o líder dos talibãs falecido hoje tinha se mostrado a princípios de outubro “aberto a negociar” com o governo, apesar de então ter garantido que esses contatos ainda não tinham ocorrido.

“Acreditamos nas negociações sérias, mas o governo não deu nenhum passo para colocar-se em contato conosco”, indicou Mehsud em entrevista oferecida no mês passado à rede britânica “BBC”.

Neste ano foram registrados no total 20 bombardeios que provocaram a morte de 130 pessoas, números muito menores que os dos últimos anos no que se refere a este tipo de operações aéreas dos EUA em solo paquistanês.

Desde 2007, antes da eleição de Barack Obama como presidente americano, o número de ataques com os chamados “drones” superava os 30 por ano.