Líder do Partido Liberal Democrata renuncia no Reino Unido

Tim Farron disse que "permanecer fiel a Cristo" era incompatível com a liderança da sigla, após vários questionamentos sobre sua fé

São Paulo – O líder do Partido Liberal Democrata, Tim Farron, renunciou ao posto nesta quarta-feira, de acordo com a imprensa do Reino Unido.

Em comunicado, Farron disse que “permanecer fiel a Cristo” era incompatível com a liderança da sigla, após vários questionamentos sobre sua fé.

Durante a eleição geral recente no país, Farron foi várias vezes questionado por suas crenças pessoais em temas como a homossexualidade.

O jornal The Guardian informa que diversas lideranças da sigla o visitaram nos últimos dias para tentar convencê-lo a deixar o posto, embora ele relutasse inicialmente.

Farron diz na nota que desde que assumiu a questão da fé dele tem sido questionada. Segundo ele, mostrou-se impossível ser um líder político – “especialmente em um partido progressista, liberal em 2017” – e manter sua crença nos ensinamentos da Bíblia.

Ele foi várias vezes questionado na campanha sobre se acreditava que o sexo entre homossexuais era um pecado.

Farron disse que seguirá na liderança até o recesso do verão local, quando deve haver uma eleição interna para a liderança.

O Partido Liberal Democrata elevou sua bancada na Câmara dos Comuns de 9 para 12 membros, após fazer da reversão do processo de saída do Reino Unido da União Europeia, o chamado Brexit, o principal ponto de sua campanha.

De acordo com o jornal The Independent, Farron admitiu que algumas de suas declarações sobre casamento gay poderiam ter sido mais inteligentes. Ao ser questionado sobre se homossexualidade é pecado, ele respondeu anteriormente: “Nós somos todos pecadores.”

Farron disse que a questão de sua fé distraía os eleitores da mensagem do partido, que desejava capitalizar o sentimento contrário ao Brexit no país.

A rede britânica BBC diz que entre os possíveis sucessores de Farron no comando do partido estão os ex-ministros Vince Cable, Jo Swinson, Sir Ed Davey e Norman Lamb.