Leste Asiático deve crescer 6% neste ano, estima Banco Mundial

Menor que a expansão de 7,2% verificada em 2004, a projeção deste ano é mais sustentável e balanceada, segundo o Bird

Os países emergentes do Leste Asiático deverão crescer 6% neste ano, de acordo com estimativas do Banco Mundial (Bird). A previsão é menor que o incremento de 7,2% verificado em 2004 na região mas traz um ponto positivo. A taxa vai refletir uma economia mais sustentável e balanceada, com contribuições bem distribuídas entre exportações, consumo doméstico e investimentos.
Muito da expansão regional baseia-se na forte demanda mundial por bens e serviços, alimentada pelas baixas taxas reais de juros. O Bird ressalta, porém, que a região não está isenta dos efeitos das altas do petróleo no mercado internacional, nem das distorções dos balanços de pagamento locais. Esses processos têm acentuado diferenças no ritmo de crescimento dos países.

O Bird também minimizou os efeitos econômicos do tsunami que atingiu vários países da região em 26 de dezembro. Embora as mortes tenham sido milhares, o impacto econômico do desastre na Indonésia e na Tailândia – as duas nações mais prejudicadas pelo fenômeno – deve ser pequeno.

Para Jemal-ud-din-Kassum, vice-presidente do Bird para o Leste Asiático e o Pacífico, o perfil mais equilibrado de crescimento deverá reduzir ainda mais as taxas de pobreza da região, a exemplo do que já ocorre na China, Vietnã, Indonésia e Tailândia.

“Escolhas inteligentes”

De acordo com o Bird, a região deveria aproveitar o bom momento que atravessa para fazer “escolhas inteligentes” que assegurem a continuidade do crescimento. Uma delas seria o fortalecimento do sistema financeiro e do mercado de capitais locais. Para a instituição, esses setores são os principais canais de entrada do capital estrangeiro nas economias domésticas e consolidá-los seria um modo de estimular a continuidade do fluxo de recursos.

“O Leste Asiático apresenta uma situação incomum, com grandes superávits correntes e elevado fluxo de capital privado ao mesmo tempo. Por isso, os dólares estão se acumulando bem rápido”, afirma Homi Kharas, economista-chefe do Bird para a região.

No ano passado, as reservas internacionais do Leste Asiático superaram 300 bilhões de dólares – o equivalente a uma taxa inédita de 9% do Produto Interno Bruto local. Segundo o Bird, muitos países não teriam dificuldades em implementar reformas estruturais, como a do setor financeiro, porque contam com uma situação bastante estável.

Expansão da China

Apesar dos esforços das autoridades de Pequim para reduzir o ritmo de crescimento, a economia chinesa continua firme, de acordo com o Bird, após atingir uma expansão recorde de 9,5% no ano passado. Os investimentos já compõem 45% do PIB local, outra taxa inédita para o país.

O fim do sistema mundial de cotas para o setor têxtil, em dezembro do ano passado, é um novo desafio para a China. “O país terá uma nova dificuldade para reduzir seu superávit comercial no curto prazo”, diz Milan Brahmbhatt, principal autor das projeções do Bird para o Leste Asiático.