Leicester: quebrando a banca

As casas de apostas fazem parte do universo britânico tanto quanto os pubs e o chá das cinco. Nesta terça-feira, para elas, é dia de ressaca. Ontem, o improvável Leicester sagrou-se campeão da Premier League, o campeonato inglês de futebol, pela primeira vez em 132 anos. O título veio após o principal concorrente, o Tottenham, empatar seu jogo contra o Chelsea.

Um ano atrás, a situação era considerada tão improvável que as casas ofereciam 5.000 libras de prêmio para cada libra apostada. No total, elas devem pagar cerca de 13 milhões de libras para os apostadores — algo como 65 milhões de reais. Isso inclui um grupo de pelo menos 47 sortudos que fez as apostas no início do torneio, e outros milhares que passaram a acreditar no Leicester no meio do caminho. Na semana passada, se pagava 1,05 libra para cada apostada.

O título era tão improvável que as casas de aposta achavam mais provável Elvis Presley estar vivo, ou a socialize Kim Kardashian ser eleita presidente dos Estados Unidos — apostas sem sentido fazem parte do folclore britânico. Nem mesmo o Leicester, comprado em 2010 pelo bilionário tailandês Vichai Srivaddhanaprabha, considerado o rei dos free shops, acreditava. Ano passado, o time quase foi rebaixado. O prêmio que os jogadores receberão pelo título, de 8 milhões de libras, é o mesmo que levariam se chegassem em 12° lugar.

É conveniente Donald Trump e Hillary Clinton, favoritos à Casa Branca, abrirem o olho com Kim.