‘La Dolce Vita’ chega ao fim na Itália

População está pessimista com o futuro econômico do país e com a crise

Roma – Os italianos ouvidos nas ruas de Roma, após o anúncio de saída de Silvio Berlusconi, não escondem o medo do futuro e expressam dúvidas sobre a capacidade de seu sucessor, seja ele quem for, de melhorar a situação. A verdade é que “La Dolce Vita” tornou-se um sonho distante… não existe mais na Itália.

“Todos os citados como possíveis sucessores vão cuidar apenas de seus interesses”, comentou Daniela D’Antonio, 24 anos, ao distribuir prospectos no centro da cidade.

Até agora, o candidato mais bem situado é o economista respeitado Mario Monti, de 68 anos.

“Eles vão nos prometer novamente uma vida boa, mas isso, simplesmente, acabou”, acrescentou a jovem, que sobrevive com salário mensal de 500 euros.

Quando chegou pela primeira vez ao poder, em 1994, Berlusconi vendeu aos italianos o sonho americano, mas esta visão foi quebrada pela crise econômica. Uma desgraça que fez sua popularidade cair para 22%.

“Estou muito contente com a demissão dele”, confiou Valentina Giusti, 33 anos. “Eu o detesto, tanto do ponto de vista político quanto pessoal. Mas não tenho esperanças de que a situação possa ser solucionada, é muito complicada”, acrescentou.

Para Valerio Mai, de 58 anos, desempregado, o afastamento dele “deveria ter acontecido há mais tempo (…) Berlusconi representa o verdadeiro perigo”.

Uma saída que não alegra Monica Contoli, uma joalheira de 38 anos: “Ninguém pode fazer melhor do que ele, e qualquer um que for substituí-lo não poderá salvar a Itália”.

O chefe de governo demissionário procurou com frequência minimizar os problemas econômicos da Itália, afirmando, por exemplo, durante a reunião de cúpula do G20, em Cannes, que os restaurantes de seu país estavam “cheios”.

O ator Roberto Benigni aproveitou um convite do Parlamento europeu para pedir aos dirigentes políticos e financeiros “que façam investimentos na Itália”.

“Hoje, fui obrigado a comer atum em conserva porque na Itália os restaurantes estão cheios”, ironizou ele. “A Itália não é o país do Risorgimento (unificação italiana de 1861), ou do Renascimento, é o país da Ressurreição”, disse.

Alguns italianos ainda duvidam da saída anunciada de Berlusconi: “Será que ele vai partir realmente? Ele prometeu não se candidar às próximas eleições, mas já fez inúmeras promessas que traiu em seguida”, observou Daniela D’Antonio.

“Só vamos começar a festejar quando nos virmos verdadeiramente livres de Berlusconi, depois que fizer as malas e deixar a cidade”, concluiu ela.