Kim Jong-un se consolida como líder da Coreia do Norte

A inesperada morte por infarto do ditador Kim Jong-il, no dia 17 de dezembro de 2011, deixou o poder nas mãos de seu herdeiro e filho mais novo, Kim Jong-un

Seul – O jovem Kim Jong-un consolidou-se como sucessor de Kim Jong-il à frente da Coreia do Norte em um ano no qual as relações exteriores do fechado país entraram em uma nova etapa de tensão, devido aos lançamentos de foguetes de longo alcance: um fracassado, em abril, e outro bem-sucedido no dia 12 de dezembro, quando enfim conseguiu levar um satélite ao espaço.

A inesperada morte por infarto do ditador Kim Jong-il, no dia 17 de dezembro de 2011, deixou o poder nas mãos de seu herdeiro e filho mais novo, Kim Jong-un, que conseguiu garantir o apoio do Partido dos Trabalhadores e do Exército Popular, pilares político e militar do regime.

Nomeado “comandante supremo” apenas uma semana depois da morte de seu pai, o jovem político – de 28 ou 29 anos, segundo estimativas – reafirmou seu poder sobre o Exército em setembro de 2012 ao receber o título de “marechal”.

Previamente, Kim Jong-un tinha oficializado sua liderança ao ser nomeado primeiro-secretário do único partido norte-coreano e principal responsável da poderosa Comissão Nacional de Defesa em meados de abril, por causa do esperado centenário de seu avô Kim Il-sung, o falecido fundador do regime norte-coreano.

No dia 15 de abril, data mais destacada em muitos anos neste país de extremo culto à personalidade de seus líderes, o jovem dirigente falou pela primeira vez às massas em Pyongyang para confirmar sua adesão à política “Songun”, a qual começou a ser aplicada por seu falecido pai e consiste na prioridade ao setor militar.


Apenas dois dias antes, a Coreia do Norte lançou um foguete com o suposto objetivo de pôr em órbita um satélite de observação, que explodiu poucos minutos após seu lançamento, deixando seus fragmentos no Mar Amarelo.

Esta ação, julgada amplamente como um teste de um míssil de longo alcance, fez a ONU endurecer as sanções que já haviam sido impostas ao país comunista por causa de provocações anteriores.

Os EUA, por sua vez, declararam cancelado o acordo bilateral assinado com a Coreia do Norte, que exigia a paralisação das atividades nucleares por parte do regime comunista em troca de 240 mil toneladas de alimentos, contemplado como um possível primeiro passo em direção à recuperação das estagnadas conversas de seis lados.

A ruptura do pacto conteve, portanto, as tentativas de retomar este processo multilateral que estava suspenso desde 2008, o mesmo que agrupa as duas Coreias, EUA, China, Japão e Rússia sob o objetivo de conseguir a desnuclearização do regime norte-coreano mediante negociações.

A respeito da relação entre as Coreias do Norte e do Sul, tecnicamente inimigas desde a guerra de 1950 a 1953, o desencontro e a tensão se mostraram como tônica predominante em 2012, ano em que ambas as partes não organizaram sequer uma reunião de familiares separados pelo conflito.


O presidente sul-coreano, Lee Myung-bak, aplicou fortes restrições de contato com o Norte e cortou seus envios de ajuda, além de prometer respostas contundentes a qualquer “provocação” vinda do Norte, ou seja, continuou com a política de mão dura em direção ao país vizinho.

A resposta de Pyongyang à postura de Lee se limitou a frequentes insultos e ameaças através da imprensa governista, que, no entanto, nunca se traduziram em ações concretas.

Outro fato que se destacou na Coreia do Norte neste ano – no mês de julho, em especifico -, foi a apresentação da primeira-dama do regime norte-coreano, a elegante Ri Sol-ju, cuja possível gravidez, ainda não confirmada, despertou uma grande curiosidade internacional.

Os seletos gostos da esposa de Kim Jong-un contrastam, no entanto, com a alarmante situação alimentar vivida na Coreia do Norte, onde 3 milhões de pessoas, mais de 10% de sua população, sofrem de desnutrição, segundo dados da ONU divulgados em novembro.

As organizações Anistia Internacional e Human Rights Watch denunciaram em seus relatórios deste ano a prática de detenções arbitrárias, trabalhos forçados, tortura e execuções públicas, entre outras violações dos Direitos Humanos, em diversas prisões do país.

Após ter descumprido sua promessa de se transformar em uma grande potência regional em 2012, o regime comunista da Coreia do Norte, ancorado em políticas do passado e sem sinais de mudança, chega a 2013 com o desafio de reativar sua economia estagnada e garantir a alimentação de seus habitantes.