Júri feminino decidirá caso da morte de Trayvon Martin

O destino de George Zimmerman, o ex-vigilante de origem hispânica que disparou e matou o adolescente negro desarmado Trayvon Martin será decidido nesta semana

Um júri feminino decidirá, a partir de segunda-feira, na Flórida, o destino de George Zimmerman, o ex-vigilante de origem hispânica que disparou e matou o adolescente negro desarmado Trayvon Martin em um caso que despertou protestos e chamou a atenção da mídia dos Estados Unidos em 2012.

Os seis membros do júri decidirão se Zimmerman deve ser condenado como acusado de assassinato em segundo grau pelo crime que provocou um debate nacional sobre raça, armas e a igualdade das pessoas diante da lei e da justiça.

“Pela lei não há um valor negro ou um valor branco. É um valor norte-americano”, disse a família de Trayvon Martin em um comunicado.

Os pais do adolescente morto, Tracy Martin e Sybrina Fulton, disseram que acreditam “firmemente que quando estes membros do júri virem as evidências esmagadores nas próximas semanas, vão considerar George Zimmerman culpado de assassinato”.

Zimmerman, de 29 anos, se declarou inocente alegando que atuou em legítima defesa durante um enfrentamento com Martin – o jovem de 17 anos – em Sanford, na noite de 26 de fevereiro de 2012, quando realizava uma ronda de vigilância voluntária.


A justiça deverá determinar se foi um caso de legítima defesa ou assassinato e convencer a opinião pública qual foi o peso do preconceito racial no crime e na atuação da polícia, que prendeu Zimmerman 44 dias depois do incidente.

Para Natalie Jackson, uma conselheira legal da família Martin, é incomum um júri exclusivamente feminino, mas acredita que ele será “justo, imparcial e indiferente”, disse à AFP.

Já para Stewart D’Alessio, professor de direito criminal na Universidade Internacional da Flórida, a composição exclusivamente feminina do júri “beneficiará a promotoria” que acusa Zimmerman.

“Os homens não só são mais propensos a possuir armas, mas também é mais provável que sintam que a força letal se justifica em determinadas circunstâncias”.

Por outro lado, as mulheres “provavelmente serão mais receptivas ao argumento de que a animosidade racial poderia ter motivado o acusado a disparar e matar a vítima”, disse D’Alessio.