Junta Militar egípcia nega agressão a manifestantes

Os governantes militares negaram também que as forças de segurança tenham usado armas de fogo ou gás lacrimogêneo contra o protesto

Cairo – A Junta Militar do Egito negou que as forças de segurança tenham agredido os manifestantes durante os confrontos na sede do Conselho de Ministros, perto da praça Tahrir, no centro do Cairo.

‘O Conselho Supremo das Forças Armadas confirma que os indivíduos que cuidam segurança se contiveram o máximo possível e não agrediram nem a cidadãos nem a manifestantes’, afirmou a Junta em comunicado divulgado nesta sexta-feira pela agência de notícias estatal egípcia ‘Mena’.

Pelo menos duas pessoas morreram e mais de 200 ficaram feridas hoje em confrontos entre manifestantes e militares na rua Qasr el Aini, junto ao edifício do Conselho de Ministros, segundo a última apuração do Ministério da Saúde.

Os governantes militares negaram também que as forças de segurança tenham usado armas de fogo ou gás lacrimogêneo contra o protesto e garantiram que os agentes da ordem em nenhum momento tentaram dissolver o acampamento junto ao Conselho de Ministros.

‘As Forças Armadas pedem aos cidadãos que não recorram a ações de violência para expressar suas opiniões e respeitem à lei’, continuou o comunicado.

Para a Junta Militar, ‘os fatos registrados na zona do Conselho de Ministros são resultado de várias ações de caos devido à agressão de um oficial que supervisionava os agentes desdobrados na Assembleia do Povo’, câmara baixa do Parlamento, adjacente à primeira instituição.

A nota acrescenta que ‘esse oficial foi agredido e outros membros de segurança intervieram para acabar com a confusão, por isso o oficial retornou a seu posto na Assembleia do Povo’.


Então, segundo a Junta Militar, ‘um grupo de manifestantes se juntou para atacar as instituições lançando pedras, tiros de escopeta e coquetéis molotov, o que destruiu um dos muros da Assembleia em uma tentativa de invadi-la’.

O texto destaca que algumas partes do edifício da Shura, câmara alta do Parlamento, que se encontra no mesmo recinto que a câmara baixa, foram destruídas e vários agentes de segurança ficaram feridos.

O Conselho Supremo das Forças Armadas salientou que o direito a se manifestar de forma pacifica ‘está garantido na lei sem que se alterem os interesses dos cidadãos’ e ressaltou a importância de proteger ‘as instalações e instituições’ para que não sejam atacadas por ninguém.

Além disso, denunciou que as informações veiculadas por alguns meios de comunicação ‘com dados errôneos e análises estranhas contra os agentes da ordem contribuem para avivar estes fatos’.

Por último, a Junta Militar frisou que ‘as Forças Armadas são do povo e pertencem ao povo e não desejam mais que o interesse supremo do país, sua segurança e estabilidade’.