Juiz indicado por Trump já foi interrogado pela polícia em 1985, diz NYT

Segundo o companheiro de sala de aula de Kavanaugh em Yale, o magistrado não disse a verdade sobre seus hábitos de consumo alcoólico

Washington – O candidato para a vaga da Suprema Corte dos Estados Unidos, Brett Kavanaugh, acusado por várias mulheres de assédio sexual, participou de 1985 em uma briga em um bar quando estudava na universidade, incidente pelo qual foi interrogado pela polícia, informou nesta segunda-feira o jornal “The New York Times“.

Este fato veio à tona no depoimento realizado ontem por Chade Ludington, companheiro de sala de aula de Kavanaugh em Yale, que disse em comunicado que o magistrado não tinha dito a verdade sobre seus hábitos de consumo alcoólico.

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“Uma das últimas vezes que socializei com Brett, eu o vi responder um comentário, lançando uma cerveja na cara do homem em questão e começando uma briga que terminou com um de nossos amigos em comum na prisão”, disse Ludington, hoje professor universitário.

O jornal nova-iorquino teve acesso ao relatório da polícia de New Haven (Connecticut), que relata como um homem de 21 anos identificado como Dom Cozzolino, acusou Kavanaugh, que tinha 20 na época, de atirar-lhe gelo “por alguma razão desconhecida”.

Uma testemunha da briga explicou que Chris Dudley, um amigo de Kavanaugh, agrediu Cozzolino com um copo na orelha, causando um ferimento.

A polícia de New Haven interrogou quatro pessoas, além de Kavanaugh, pela briga, que ocorreu de madrugada.

Segundo o relatório, Kavanaugh negou-se a dizer “se ele atirou o gelo ou não”.

Tanto Kavanaugh como Dudley estudavam na época na Universidade de Yale, das mais prestigiadas dos EUA.

De acordo com Ludington, “quando Brett bebia, frequentemente era agressivo”.

Ludington, portanto, contradisse a declaração de Kavanaugh na semana passada diante do Comitê de Justiça do Senado, onde ele reconheceu que “às vezes” bebia “muitas” cervejas, mas que nunca “perdeu a consciência” como consequência disso.

“Eu posso dizer com segurança que, ao negar a possibilidade que alguma vez perdeu a consciência e minimizar o grau e a frequência de seu uso de álcool, Brett não disse a verdade”, afirmou Ludington.

“Eu acho”, ele acrescentou, “que a capacidade de falar a verdade é uma qualidade primordial que buscamos nos juízes mais poderosos do nosso país”.

O FBI reabriu a investigação sobre Brett Kavanaugh, acusado por várias mulheres de assédio sexual, que está esperando o Senado votar sua confirmação para acessar a vaga na Suprema Corte. \