Juan Manuel Santos e o Nobel da Paz

O presidente colombiano Juan Manuel Santos foi anunciado na manhã desta sexta-feira como o vencedor do Nobel da Paz de 2016. A comissão do prêmio ressaltou o esforço de Santos para chegar a um acordo de paz com as Farc, num conflito que já dura mais de 50 anos. Trata-se de uma escolha surpreendente até, uma vez que o acordo tentado por Santos foi rejeitado pela população do país em referendo no último domingo e terá que ser revisto.

O troféu congratula, desde 1901, aqueles que tenham dedicado esforços notáveis à fraternidade entre as nações. Porém, há laureados que, hoje, causam estranhamento na lista. A União Europeia, que assinou com a Turquia um vergonhoso acordo de refugiados, em meio à maior crise de migração da história, havia sido premiada em 2012. O presidente Barack Obama, que levou o troféu em 2009 “pelos esforços diplomáticos internacionais e cooperação entre povos”, não fechou a prisão de Guantánamo e, nesta semana, decidiu enviar mas 615 homens ao Iraque, numa tentativa de combate ao Estado Islâmico. Os Estados Unidos já mantinham mais de 4.500 militares no país.

Agora, é torcer para que Santos não seja mais um nome nessa lista de contradições do Nobel da Paz e siga, como prometido, buscando uma solução para o conflito que já provocou a morte de 260 mil pessoas e deixou quase 7 milhões de deslocados internos e 45 mil desaparecidos.