José Mario Vaz vence eleições presidenciais de Guiné-Bissau

Candidato do Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde ganhou o segundo turno das eleições presidenciais, realizadas no domingo

Bissau – O candidato do Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), José Mario Vaz, ganhou o segundo turno das eleições presidenciais, realizadas no domingo na Guiné-Bissau, informou hoje a Comissão Nacional Eleitoral (CNE).

Vaz, de 57 anos, obteve 61,9% dos votos (cerca de 364.400 mil), segundo os resultados provisórios divulgados pela CNE.

Seu rival, o independente Nuno Gomes Nabiam, de 48 anos, ficou com 38,1% dos votos (quase 224.100)

O índice de participação foi de 78,1%, inferior ao do primeiro turno, disputado em 13 de abril, informou a Comissão Nacional Eleitoral.

Tanto a União Europeia (UE), que enviou uma missão de observação eleitoral ao país africano, como a ONU parabenizaram Guiné-Bissau pela votação realizada de forma pacífica.

Casado e pai de três filhos, Vaz foi ministro das Finanças no governo derrubado pelo golpe de Estado do 12 de abril de 2012, e anteriormente tinha sido prefeito de Bissau.

Após o golpe, Vaz fugiu para Portugal e retornou ao seu país em fevereiro de 2013, quando passou três dias detido após ser acusado de estar envolvido no desaparecimento de mais de nove milhões de euros da ajuda financeira doada por Angola.

As eleições presidenciais foram as primeiras realizadas desde o golpe de Estado de 2012.

O segundo turno pôs fim a um processo eleitoral legislativo e presidencial adiado em duas ocasiões desde novembro de 2013 devido aos problemas de financiamento que o país atravessa.

O PAIGC se proclamou vencedor das eleições legislativas realizadas em 13 de abril, ao mesmo tempo do primeiro turno das presidenciais, com um total de 55 deputados, seguido do Partido da Renovação Social, que ocupará 41 cadeiras.

Os partidos minoritários conquistaram as restantes 102 cadeiras da Assembleia Nacional.

Guiné-Bissau se tornou independente de Portugal em 1974, e desde então sofre com assassinatos de políticos e golpes de Estado, com uma única etapa de “paz política”. O país foi governado durante 23 anos por João Bernardo “Nino” Vieira, deposto em 1999.

Em 2012, um novo golpe derrubou do poder o presidente Raimundo Pereira e o primeiro-ministro Carlos Gomes Júnior, que de seu exílio em Portugal alertou para a intenção do governo provisório de “instaurar uma ditadura militar”.

O último golpe foi punido por parceiros e países doadores de Guiné-Bissau, que suspenderam o envio de dinheiro ao país, que marcado pelo tráfico e a corrupção mergulhou e uma profunda crise política e econômica.