Jornalista é ameaçado de decapitação pelo EI

Um jornalista kosovar declarou ter sido ameaçado de decapitação por fundamentalistas de seu país

Pristina – Um jornalista kosovar, especializado em questões políticas ligadas ao Islã, declarou ter sido ameaçado de decapitação por fundamentalistas de seu país, no dia seguinte à execução por decapitação de um segundo jornalista americano, Steven Sotloff, por jihadistas do Estado Islâmico.

“Recebi várias ameaças, principalmente pelo Facebook. Algumas me ameaçavam de decapitação”, declarou à AFP o jornalista Visar Duriqi.

“Espero que a polícia reaja rapidamente porque não me sinto seguro”, acrescentou.

Por sua vez, em um comunicado, a organização Repórteres Sem Fronteiras expressou sua preocupação quanto a situação de Visar Duriqi e pediu que “o ministério do Interior do Kosovo lhe forneça proteção”.

A situação de Duriqi é “muito preocupante e as ameaças devem ser levadas a sério”, disse o secretário-geral do RSF, Christophe Deloire, apelando para uma “investigação que identifique os autores dessas ameaças”.

A cobertura por Duriqi de temas sobre o extremismo religioso tem sido “uma fonte de irritação entre os círculos radicais”.

Em uma série de artigos, Duriqi descreveu a maneira como os jovens muçulmanos kosovares são doutrinados antes de serem incentivados a participar de grupos jihadistas na Síria.

“Se o wahhabismo não for levado a sério no Kosovo (…), esse movimento poderia aplicar a sua experiência na condução de ataques suicidas”, escreveu recentemente em um artigo.

“Os possíveis autores destes ataques iriam para seu paraíso e os albaneses, que se esforçam para construir uma sociedade democrática, verão abrir as portas do inferno”, escreveu ele.

A esmagadora maioria dos cerca de 1,78 milhão de kosovares são muçulmanos moderados.

No Kosovo, cerca de quarentena islâmicos suspeitos de terem se juntado aos insurgentes jihadistas na Síria foram presos em agosto.

Segundo estimativas dos serviços de segurança, cerca de 150 kosovares estão engajados nas fileiras dos jihadistas na Síria. Dezesseis foram mortos.