Jordânia aceita sediar reunião entre governo do Iêmen e houthis

A pedido da ONU, a Jordânia aceitou realizar a reunião entre o governo do Iêmen e os rebeldes houthis, mas a reunião ainda não tem data definida

Amã – O governo da Jordânia aceitou nesta terça-feira o pedido do enviado da ONU para o Iêmen, Martin Griffiths, para acolher uma reunião entre os representantes do governo iemenita e a delegação do movimento rebelde houthi sobre o acordo de troca de prisioneiros, estabelecido nas últimas consultas de paz na Suécia.

“A Jordânia aprovou o pedido apresentado pelo escritório do enviado da ONU para sediar a reunião que será realizada entre os representantes do governo iemenita e o grupo de Ansar Allah”, em referência aos houthis, disse o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores jordaniano, Sufian al Quda, em comunicado.

O porta-voz indicou que não foi marcada nenhuma data para a realização da reunião, que foi estabelecida durante os acordos firmados na última rodada de contatos entre as partes em conflito ocorrida na Suécia em dezembro.

Quda também esclareceu que tanto o lugar como a data “serão decididos pela missão da ONU no Iêmen”, que tem sua sede na capital jordaniana.

As duas partes chegaram a um acordo na Suécia para a troca de aproximadamente 16 mil prisioneiros de guerra e estão completando a lista com os nomes dos que serão entregues, segundo informou Griffiths na semana passada ao Conselho de Segurança da ONU.

Uma fonte do aeroporto de Sana disse ontem à Agência Efe que representantes dos rebeldes houthis do denominado Comitê Conjunto de Presioneiros de Guerra saíram da capital iemenita a bordo de um avião do Comitê Internacional da Cruz Vermelha.

Três representantes embarcaram em um pequeno avião da organização internacional rumo ao Djibuti, no Chifre da África, e de lá seguirão para Amã a bordo de um avião das Nações Unidas, detalhou a fonte.

No último dia 9, Griffiths declarou que desejava ver mais avanços na aplicação dos acordos alcançados na Suécia antes de convocar uma nova rodada de consultas, que, em princípio, estava prevista para este mês.

No entanto, nos últimos dias a tensão voltou a crescer entre as partes devido às violações ao acordo de cessar-fogo na cidade de Al Hudaydah, negociado na Suécia e que entrou em vigor em 18 de dezembro.

O conflito armado no Iêmen começou em 2014, quando os rebeldes xiitas houthis ocuparam a capital Sana e outras províncias.

Essa disputa, que segundo a ONU provocou no Iêmen a maior crise humanitária da atualidade, se agravou em 2015 com a intervenção da coalizão militar integrada por países sunitas liderados pela Arábia Saudita em favor das forças leais ao presidente iemenita, Abdo Rabu Mansour Hadi.