Itália: naufrágio do cruzeiro já causou ‘dano ambiental’

Ministro do meio ambiente confirmou que um pequeno dano aconteceu no fundo do mar, mas temor é que problema aumente

Roma – O Governo da Itália afirmou nesta quarta-feira que já ocorreu ‘dano ambiental’, embora muito restrito ao fundo do mar da ilha de Giglio, por causa do naufrágio de sexta-feira do transatlântico ‘Costa Concordia’, que contém em seu interior 2.380 toneladas de combustível.

À margem de seu comparecimento nesta quarta-feira no plenário da Câmara Baixa, o ministro de Meio Ambiente italiano, Corrado Clini, afirmou que existe o risco de um possível vazamento de combustível ao mar, que pode esparramar-se ao longo de toda a costa do Mar Tirreno.

‘Estamos diante de uma situação limite porque o navio está instável. É preciso atuar rápido (…). Acredito que nas próximas 12h estaremos prontos para começar a trabalhar para esvaziar as 2.380 toneladas de combustível do reservatório, mas para isso precisaremos de ao menos duas semanas’.

O ministro de Meio Ambiente admitiu que para retirar o ‘Costa Concordia’ do lugar onde está encalhado, obviamente será preciso mais tempo, basta ‘um pouco de bom senso para entender que existe uma manobra arriscada. Nesta quarta-feira, as autoridades tiveram de suspender as operações de resgate por causa de uma nova movimentação do transatlântico.

‘Corremos um enorme risco de o combustível se dispersar no mar, o que pode contaminar não só a zona do naufrágio, mas toda a costa do Tirreno. Isso depende muito das correntes marinhas’, comentou Clini, quem explicou que já receberam propostas da França e Alemanha para colaborar na gestão da catástrofe.

Segundo o ministro italiano, não é preciso que o Governo aprove uma lei proibindo os cruzeiros de se aproximarem do litoral para saudar os aldeões – o que está sendo cogitado como possível causa do naufrágio do ‘Costa Concordia’-, mas basta que impere o ‘bom senso’ para perceber que estas são manobras ‘perigosas’.


Na segunda-feira, Clini anunciou que o Governo decretará estado de emergência na zona no próximo Conselho de Ministros, previsto para esta sexta-feira, e se referiu a pequenos vazamentos de ‘matéria líquida’ que, por enquanto, não se sabe se é combustível.

‘As investigações em curso permitirão saber a natureza das perdas. Mesmo sem saber, começamos a proteção do casco com painéis que permitam conter os vazamentos’, detalhou o ministro.

O representante na Itália da companhia holandesa Smit Salvage, encarregada pelas tarefas de retirada do combustível, estimou nesta quarta-feira que serão necessárias de duas e seis semanas para extrair todo o combustível dos tanques, e explicou que para isso e sem que ocorra contaminação será utilizado um sistema que permite perfurar a chapa da cisterna.

A ilha de Giglio faz parte de um parque natural marinho considerado um dos maiores ecossistemas do Mediterrâneo e em torno dela os helicópteros que trabalham nos trabalhos de resgate já visualizaram manchas na água.

O naufrágio do ‘Costa Concordia’, de propriedade da companhia Costa Cruzeiros, fez por enquanto 11 mortes.

* Matéria atualizada às 14h14