Itália diverge de Alemanha e França sobre acordo de imigração

O primeiro-ministro da Itália disse que o acordo não determinou que o país vai receber de volta os imigrantes que haviam saído da Itália para a Alemanha

Bruxelas – A Itália divergiu da Alemanha e da França nesta sexta-feira sobre exatamente o que foi acordado horas antes em uma cúpula da União Europeia para atenuar disputas sobre imigração que estão ameaçando os alicerces do bloco.

O primeiro-ministro da Itália, Giuseppe Conte, disse que o acordo não determinou que Roma iria aceitar de volta imigrantes que haviam saído da Itália para a Alemanha.

O comentário provavelmente será mal recebido pela chanceler alemã, Angela Merkel, que precisava de compromissos claros nesse sentido por parte de aliados da UE para evitar o colapso de sua coalizão governista.

“O acordo não prevê que a Itália receberá imigrantes da Alemanha”, disse Conte em coletiva de imprensa após dois dias de reuniões da União Europeia em Bruxelas. “Eu não assinei nenhum acordo específico com Merkel” sobre receber imigrantes de volta, acrescentou.

Conte também negou abertamente o que o presidente francês, Emmanuel Macron, havia dito sobre novos centros de processamento de asilo, principalmente a afirmação de que eles só poderão ser instalados em Estados “de linha de frente”, o que inclui a Itália, mas não a França.

“Macron estava cansado. Eu nego o que ele disse”, disse Conte a repórteres, acrescentando que todos os Estados membros da União Europeia poderão ter esses centros “incluindo a França”. A maior parte dos imigrantes entra em território da UE através da Itália, Espanha e Grécia, que formam o extremo sul do bloco.

Conte disse, ainda, que alguns países da UE se ofereceram informalmente para instalar os centros em seu território, mas destacou que a Itália não está entre eles.

O acordo se baseia em ações “voluntárias” de Estados da União Europeia para instalar centros de imigrantes ou receber refugiados de outros países, mas Conte disse que “procedimentos” podem ser usados contra membros que não se comprometerem a respeitar o tratado.